Estado vai investir R$ 236 milhões para construir obra em Fortaleza. Meta é aumentar número de visitantes em 48%

O governo do Ceará deu o pontapé inicial para a construção de um aquário em Fortaleza que tem um objetivo muito claro: atrair 1,2 milhão de novos visitantes por ano para o Estado, o que significa um incremento de 48% no atual fluxo de turistas. A oposição critica o empreendimento e defende prioridade para outras áreas, como saúde e educação.

Em 2010, o Ceará recebeu cerca de 2,5 milhões de pessoas. A partir de 2013, com o aquário, esse número deve saltar para 3,7 milhões. Ao menos é o que promete o titular da Secretaria de Turismo do Ceará (Setur), Bismarck Maia, baseado em experiências de outras cidades que construíram um aquário.

Vista aérea da praia de Iracema, em Fortaleza, onde governo pretende construir aquário
Daniel Aderaldo/iG
Vista aérea da praia de Iracema, em Fortaleza, onde governo pretende construir aquário
O já batizado "Acquário Ceará" (com c no aquário) será construído em uma área de 21,5 mil metros quadrados, localizada na Praia de Iracema, atualmente entregue a prática do turismo sexual. Ao todo, o projeto custará US$ 150 milhões (R$ 236,1 milhões), sendo que US$ 105 milhões (cerca de R$ 165,3 milhões) vieram de um empréstimo obtido do Export-Import Bank dos Estados Unidos. US$ 45 milhões (R$ 71 milhões) sairão dos cofres do governo.

Os tanques do aquário terão capacidade para 15 milhões de litros. Segundo a Setur, o aquário será o maior e mais moderno do hemisfério Sul. O governo diz que o novo equipamento vai render R$ 21,5 milhões por ano e gerar 150 empregos diretos, 1.600 indiretos e 18 mil na cadeia produtiva do turismo, setor que responsável por 11% do PIB cearense, que gira em torno de R$ 65 bilhões.

Projeto do aquário: governo espera atrair 1,2 milhão de novos turistas para o Estado
Divulgação
Projeto do aquário: governo espera atrair 1,2 milhão de novos turistas para o Estado
“A vida inteira se falou nas belezas naturais, das praias, do povo hospitaleiro, do nosso artesanato, mas só isso não é suficiente para nos tornar uma verdadeira potência do turismo”, justifica Bismarck Maia. O Ceará oscila entre o segundo e terceiro destino mais procurado do Nordeste, disputando com Pernambuco e atrás da Bahia. A ideia é que o incremento no turismo de lazer e de eventos coloque, de uma vez, o Estado no segundo lugar deste ranking.

Polêmica

Os números, contudo, não convenceram a oposição na Assembleia Legislativa. A mensagem para o empréstimo foi aprovada com folga na última quinta-feira (2), mas gerou muita polêmica durante a votação, inclusive com voto contra da deputada Eliane Novais (PSB), correligionária do governador Cid Gomes (PSB).

O deputado Roberto Mesquita (PV) vem usando uma máxima popular no interior cearense que diz “viva o luxo e morra o bucho” para criticar o governo Cid. De acordo com o parlamentar, 74% das moradias do Ceará sofrem com a carência de rede de esgoto, água e coleta de lixo. “Por isso, voto contra essa matéria”. “Um aquário não é prioridade para um Estado pobre como o Ceará”, protestou o deputado Heitor Férrer (PDT). O Ceará tem oito milhões de habitantes. Cerca de um milhão está abaixo da linha da pobreza.

Os governistas acusam a oposição de não entender os benefícios para o Estado. O líder do governo na Casa, deputado Antônio Carlos (PT), afirma que o crédito do Export-Import Bank é específico e não viria para o Ceará se não fosse para um empreendimento turístico do tipo. O petista ponderou ainda que só no mês de junho o governo irá inaugurar R$477 milhões em obras em outras áreas.

Requalificação do entorno

O terreno onde será construído o Acquário Ceará já foi escolhido e está desocupado. A área fica na Praia de Iracema. Apesar dos esforços da Prefeitura de Fortaleza para requalificar a região, com reforma do calçadão e restauro de prédios históricos, o entorno é conhecido pelo turismo sexual. A ideia é que a implantação do aquário mude isso.

“Tecnicamente falando, aquele terreno da Praia de Iracema é o melhor lugar para se construir um aquário do tipo. Mas, por outro lado, é um local que precisa de uma intervenção também. Esse equipamento que vamos construir lá vai inibir o turismo sexual pelo próprio impacto que vai ter com a circulação de um outro tipo de público”, explica o secretário Bismarck Maia.

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