Ceará aposta em aquário para virar 2º destino turístico do Nordeste

Estado vai investir R$ 236 milhões para construir obra em Fortaleza. Meta é aumentar número de visitantes em 48%

Daniel Aderaldo, iG Ceará | 05/06/2011 07:00

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O governo do Ceará deu o pontapé inicial para a construção de um aquário em Fortaleza que tem um objetivo muito claro: atrair 1,2 milhão de novos visitantes por ano para o Estado, o que significa um incremento de 48% no atual fluxo de turistas. A oposição critica o empreendimento e defende prioridade para outras áreas, como saúde e educação.

Em 2010, o Ceará recebeu cerca de 2,5 milhões de pessoas. A partir de 2013, com o aquário, esse número deve saltar para 3,7 milhões. Ao menos é o que promete o titular da Secretaria de Turismo do Ceará (Setur), Bismarck Maia, baseado em experiências de outras cidades que construíram um aquário.

Foto: Daniel Aderaldo/iG

Vista aérea da praia de Iracema, em Fortaleza, onde governo pretende construir aquário

O já batizado "Acquário Ceará" (com c no aquário) será construído em uma área de 21,5 mil metros quadrados, localizada na Praia de Iracema, atualmente entregue a prática do turismo sexual. Ao todo, o projeto custará US$ 150 milhões (R$ 236,1 milhões), sendo que US$ 105 milhões (cerca de R$ 165,3 milhões) vieram de um empréstimo obtido do Export-Import Bank dos Estados Unidos. US$ 45 milhões (R$ 71 milhões) sairão dos cofres do governo.

Os tanques do aquário terão capacidade para 15 milhões de litros. Segundo a Setur, o aquário será o maior e mais moderno do hemisfério Sul. O governo diz que o novo equipamento vai render R$ 21,5 milhões por ano e gerar 150 empregos diretos, 1.600 indiretos e 18 mil na cadeia produtiva do turismo, setor que responsável por 11% do PIB cearense, que gira em torno de R$ 65 bilhões.

Foto: Divulgação Ampliar

Projeto do aquário: governo espera atrair 1,2 milhão de novos turistas para o Estado

“A vida inteira se falou nas belezas naturais, das praias, do povo hospitaleiro, do nosso artesanato, mas só isso não é suficiente para nos tornar uma verdadeira potência do turismo”, justifica Bismarck Maia. O Ceará oscila entre o segundo e terceiro destino mais procurado do Nordeste, disputando com Pernambuco e atrás da Bahia. A ideia é que o incremento no turismo de lazer e de eventos coloque, de uma vez, o Estado no segundo lugar deste ranking.

Polêmica

Os números, contudo, não convenceram a oposição na Assembleia Legislativa. A mensagem para o empréstimo foi aprovada com folga na última quinta-feira (2), mas gerou muita polêmica durante a votação, inclusive com voto contra da deputada Eliane Novais (PSB), correligionária do governador Cid Gomes (PSB).

O deputado Roberto Mesquita (PV) vem usando uma máxima popular no interior cearense que diz “viva o luxo e morra o bucho” para criticar o governo Cid. De acordo com o parlamentar, 74% das moradias do Ceará sofrem com a carência de rede de esgoto, água e coleta de lixo. “Por isso, voto contra essa matéria”. “Um aquário não é prioridade para um Estado pobre como o Ceará”, protestou o deputado Heitor Férrer (PDT). O Ceará tem oito milhões de habitantes. Cerca de um milhão está abaixo da linha da pobreza.

Os governistas acusam a oposição de não entender os benefícios para o Estado. O líder do governo na Casa, deputado Antônio Carlos (PT), afirma que o crédito do Export-Import Bank é específico e não viria para o Ceará se não fosse para um empreendimento turístico do tipo. O petista ponderou ainda que só no mês de junho o governo irá inaugurar R$477 milhões em obras em outras áreas.

Requalificação do entorno

O terreno onde será construído o Acquário Ceará já foi escolhido e está desocupado. A área fica na Praia de Iracema. Apesar dos esforços da Prefeitura de Fortaleza para requalificar a região, com reforma do calçadão e restauro de prédios históricos, o entorno é conhecido pelo turismo sexual. A ideia é que a implantação do aquário mude isso.

“Tecnicamente falando, aquele terreno da Praia de Iracema é o melhor lugar para se construir um aquário do tipo. Mas, por outro lado, é um local que precisa de uma intervenção também. Esse equipamento que vamos construir lá vai inibir o turismo sexual pelo próprio impacto que vai ter com a circulação de um outro tipo de público”, explica o secretário Bismarck Maia.

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