Após um ano da inundação que destruiu cidade no Ceará, obra está pela metade

População do município do Crato realizou manifestação contra lentidão do poder público e teme nova enchente

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Thallys Moreira/arquivo pessoal
Moradores protestam pela conclusão da obra em canal no Crato
Em 27 de janeiro de 2011, uma forte chuva fez transbordar o canal do rio Granjeiro, no Crato, Cariri cearense. A população da cidade foi surpreendida por uma enxurrada que destruiu casas, pontes, prédios comerciais, ruas e carros.

Nesta sexta-feira (27), um ano depois, moradores da área atingida foram às ruas protestar, pois a intervenção iniciada na área não foi concluída e as chuvas recomeçaram.

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Os manifestantes fizeram uma passeata pelas vias que ficaram submersas durante a enchente. Eles levaram cartazes cobrando a aplicação de R$ 4 milhões liberados pelo governo federal para obras emergenciais no local. Um “bolo de lama” foi usado no protesto para marcar a passagem de um ano desde a inundação.

Ítalo Freitas/arquivo pessoal
Obra em canal parou na primeira etapa, com 60% de conclusão. O resto é entulho que assoreia o rio.
Pelo menos 500 prédios no centro da cidade foram alagados, duas pontes de concreto e passarelas que passavam sobre o canal sofreram graves avarias, residências desmoronaram e outras tiveram boa parte de sua estrutura comprometida. A enxurrada também levou carros e arrancou o asfalto de diversas ruas.

Com a forte chuva que atingiu a cidade, o canal também ficou devastado. Uma reforma foi iniciada, mas parou no meio do caminho. A primeira etapa ficou pronta, mas a verba destinada à segunda parte não atraiu nenhuma empreiteira interessada em tocar a obra.

A recuperação do canal do rio que nasce e atravessa toda a cidade começou apenas em maio, quatro meses após a grande enchente que o destruiu. O Ministério da Integração Nacional liberou R$ 4 milhões para obras emergenciais em fevereiro. O dinheiro foi depositado na conta da Prefeitura do Crato, mas uma nova portaria anulou a liberação da verba e o valor foi para a conta do governo do Ceará.

Com isso, o Estado assumiu a responsabilidade pelo projeto e realizou um pregão eletrônico para a primeira etapa. A empreiteira vencedora recebeu R$ 2,5 milhões para realizar 60% da obra. Feito o trabalho, um novo pregão foi realizado para a segunda parte. Porém, com apenas R$1,5 milhão para terminar o serviço, nenhuma empresa se dispôs. “Deveria ter sido feita uma única licitação para toda a obra”, protesta o prefeito do Crato, Samuel Araripe (PSDB).

Questionada pelo iG sobre o destino da verba federal e o andamento da obra, a Secretaria de Infraestrutura do Ceará se limitou a responder, por meio de sua assessoria de imprensa, que a concorrência para a segunda etapa foi aberta, mas como nenhuma empresa participou, e que o Estado agora está estudando uma outra forma de continuar o projeto.

Com a obra pela metade, presença de entulhos e contenções inacabadas, técnicos da prefeitura do Crato temem que uma chuva menor que a do ano anterior seja capaz de causar estragos ainda maiores desta vez. “Quem vai assumir a responsabilidade civil e penal se acontecer um problema grave”, questiona o prefeito. “A prefeitura não tem dinheiro”, completa ele.

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