Após greve, comando da PM do Ceará tem substituições

Cúpula da corporação nega que mudanças tenham relação com paralisação e alega que trocas foram técnicas e já eram previstas

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

AE
Viaturas com pneus vazios nos arredores do quartel da 6ª Companhia do 5º Batalhão, no bairro Antonio Bezerra, em Fortaleza, durante o sexto dia de greve
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) fez uma série de mudanças no comando de divisões estratégicas da Polícia Militar. O Estado enfrentou uma greve de cinco dias de seus policiais e bombeiros militares, que terminou há 15 dias. Contudo, a cúpula da corporação nega que trocas estejam ligadas ao episódio.

Os policiais conseguiram reajuste salarial de 7% e a promessa de aumento gradual dos vencimentos em 80% até 2015.

A mudança mais significativa ocorreu no comando do Batalhão de Policiamento Comunitário (BPC), integrado pelo chamado Ronda do Quarteirão, principal programa de segurança pública do governador Cid Gomes (PSB).

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O batalhão em questão tem um efetivo de 3,9 mil homens, que atuam em Fortaleza, região metropolitana e boa parte do interior. Foi o setor da PM em que houve a maior adesão à greve, junto com o Comando de Policiamento da Capital (CPC) e o Comando de Policiamento do Interior (CPI), os quais também tiveram os seus responsáveis trocados.

Além disso, as mudanças alcançaram a 6ª Companhia do 5º Batalhão, no bairro Antônio Bezerra. O quartel foi tomado pelos policias amotinados durante a paralisação.

O Comando-Geral da PM alega que esse tipo de alteração é rotineira e que, portanto, a movimentação já era prevista. Segundo o chefe da seção de comunicação social da PM, tenente-coronel Fernando Albano, esse procedimento dá maior dinamicidade ao trabalho da corporação. Além disso, de acordo com ele, era preciso realocar policiais promovidos e outros oficiais que estavam no mesmo posto há mais de dois anos.

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O tenente-coronel Albano alegou ainda que essas substituições aconteceram em janeiro para não causar prejuízos aos oficiais que tem família e filhos em idade escolar, por exemplo. “A realidade é que não existe nenhuma relação com a greve”, disse ele à reportagem do iG .

Entretanto, outros destacamentos que permaneceram fieis ao Comando-Geral durante a paralisação não sofreram alterações, como no caso do Batalhão de Polícia de Choque e da Polícia Rodoviária Estadual.

Resultado da greve

A paralisação dos policiais militares começou no dia 29 de dezembro de 2011, às vésperas da festa de réveillon, e seguiu até o dia 4 de janeiro. Um dia antes do término da greve a população de Fortaleza viveu um dia de pânico. Com boatos de arrastões por toda a cidade e um aumento real de crimes, o comério de toda a capital fechou as portas e, ao final da manhã, a cidade parecia viver um dia de feriado.

Os policiais conseguiram reajuste salarial de 7% e a promessa de aumento gradual dos vencimentos em 80% até 2015. O governo também irá diminuir a jornada semanal de trabalho em quatro horas e realizar novos concursos para aumentar o efetivo policiail. Outro ponto da negociação decisivo para o fim da greve foi a anistia de todos os que participaram do motim.

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