Após crise das calcinhas, padre volta a rezar missa em Fortaleza

Pároco da catedral de Fortaleza disse, no domingo, que não celebraria mais missas enquanto feirantes ocupassem frente da igreja

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

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Venda de calcinhas na grade em frente à catedral: sujeira e tumulto provocaram revolta dos fiéis
A missa de meio-dia desta quarta-feira (9) foi celebrada na Catedral Metropolitana de Fortaleza. Era o sinal de que a "crise das calcinhas" havia sido resolvida.

Dias antes, o pároco anunciara que as missas não iriam mais acontecer enquanto os feirantes que usavam as grades e o chão da calçada do entorno da Igreja da Sé, no centro da cidade, como cabide e vitrine, continuassem por lá.

Entenda a polêmica: Padre anuncia fim de missa aos domingos na Catedral de Fortaleza

A prefeitura de Fortaleza mandou 12 fiscais ao local nesta manhã para impedir os comerciantes de utilizarem o espaço em frente à Catedral para o comércio irregular. A ação deu resultado. “Não apareceu nenhum feirante. Está tudo tranqüilo, tudo em ordem”, comemorou padre Clairton Alexandrino.

Em meio a uma crise de stress provocada pela ocupação do entorno da igreja e pelas constantes reclamações dos fiéis, o pároco anunciou no último domingo (6) que não iria celebrar missas enquanto o problema não fosse resolvido. Ele dizia que estava vivendo um impasse. Não podia mais admitir que a feira atrapalhasse o acesso a igreja, mas ao mesmo tempo sentia “dó” dos comerciantes que ficariam sem seu local de trabalho. Ele chegou a desabafar a reportagem do iG que estava se retirando “porque não aguento mais a pressão”.

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A Catedral Metropolitana de Fortaleza: principal igreja da capital do Ceará se tornou um pólo de comércio popular
Após o apelo do sacerdote e diante da ameaça de Fortaleza ter seu principal templo católico desativado, o Ministério Público do Estado do Ceará recomendou à Prefeitura de Fortaleza retirar os feirantes que comercializavam confecções no local. O pedido foi apresentado pelo promotor de Justiça da Defesa do Meio Ambiente, José Francisco de Oliveira.

A Secretaria Executiva Regional do Centro de Fortaleza (Sercefor), responsável pelo ordenamento da região, divulgou uma nota pedindo para que atacadistas e ambulantes “respeitem o direito de uso do espaço público” e que o consumidores “repudiem o comércio e rejeitem as mercadorias oferecidas” nas proximidades do nosso maior templo católico.

O comércio irregular se mudou para a Igreja da Sé em 2009. Naquele ano, a Prefeitura de Fortaleza expulsou os feirantes da Praça Pedro 2º, localizada do outro lado da rua. Uma parte foi transferida para um centro comercial na periferia da cidade. Outra foi para o município de Maracanaú, na região metropolitana. Restaram alguns. Eles resolveram ficar porque não queriam perder a clientela fixa. Com a praça ocupada pela Guarda Municipal, o problema se transferiu para a vizinha Catedral.

Na nota, a Sercefor reconhece “a inadequação da área para a prática de comércio atacadista de confecções, dado o avanço desordenado da atividade sobre ruas, avenidas, calçadas e praças do entorno”, diz que “seguirá alocando o maior número possível de fiscais de controle urbano, para conter a ocupação abusiva de espaços públicos na região” e que trabalha para fazer a transferência do comércio para uma área “adequada ao seu funcionamento e crescimento”.

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