Após 2 meses de greve, professores de Fortaleza querem férias em julho

Eles ameaçam retormar a paralisação se a prefeitura não ceder: dizem que tem filhos pequenos e cursos agendados

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Nós estamos sendo impedidos de fazer greve e de tirar nossas férias. É mais um direito que a prefeitura quer nos tomar”, diz sindicalista

Os professores de Fortaleza ameaçam voltar a paralisar as atividades caso a Prefeitura de Fortaleza não desista de realizar aulas durante o mês de julho e aos sábados.

Os professores da rede municipal de Fortaleza estavam em greve desde o final do mês de abril, mas na última sexta-feira (29) suspenderam o movimento. Agora, a categoria diz que a paralisação pode ser retomada: eles não concordam com o calendário de reposição proposto pela Secretaria Municipal de Educação (SME).

Os professores dizem que o calendário de reposição das aulas está sendo imposto pela Prefeitura de Fortaleza. Para o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará (Sindiute), as aulas em julho significarão prejuízos profissional, pessoal e financeiro para os professores. Eles argumentam que o mês de julho é utilizado para realizar cursos de capacitação e que, inclusive, muitos professores já estariam matriculados contando com as férias. “Além disso, muitos professores são pais e mães, que tem filhos pequenos que ficam em casa nesse período”, ponderou a secretária geral do Sindiute, Ana Cristina Guilherme.

Daniel Aderaldo/iG
Professores de Fortaleza durante a greve, quando eles bloquearam a entrada da Câmara Municipal
Ana Cristina disse ainda que a atitude da prefeitura é também uma afronta ao direito de greve dos trabalhadores. “Se essa moda pega, o trabalhador vai ser obrigado a fazer greve só nas férias e não vai poder fazer greve de trabalho. Nós estamos sendo impedidos de fazer greve e de tirar nossas férias. É mais um direito que a prefeitura quer nos tomar”.

Em entrevista realizada na tarde desta quarta-feira (29), a secretária de Educação de Fortaleza, Ana Maria Fontenelle, disse que a prefeitura não irá alterar o calendário de reposição proposta. Segundo ela, a única solução para que o calendário escolar da rede municipal entre em compasso com os das redes do Estado e privada é realizando aulas no mês de julho e aos sábados.

“O ano letivo é limitado e nós temos um prazo. Para garantir que as crianças tenham direito ao ano letivo, é preciso ter aula em julho, compreendendo que as crianças tenham direito de migrar para outras redes. A garantia desse trabalho em julho é a garantia do direito”, afirmou Ana Maria Fontenelle.

Os professores municipais reivindicam salário base de R$1.450. A prefeitura de Fortaleza, no entanto, alega cumprir a lei nacional que fixou o piso do magistério em 2008, determinado pelo Ministério da Educação (MEC) e reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que, atualmente, é de R$ 1.187. No último dia 7, os vereadores de Fortaleza aprovaram, sob protesto, a lei que define o valor de R$ 1.187,97 como salário base para professores de nível médio e R$ 1.439,03 para professores de nível superior.

Na próxima sexta-feira, 1 de julho, os professores vão realizar uma nova assembleia para decidir se irão recuar e aceitar a proposta da prefeitura ou se irão retomar o movimento.

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