Advogado leva celular a preso e usa placa na perna como desculpa

Idoso, mancando e com uma cicatriz na perna, defensor passava pelos detectores argumentando que tinha metal no corpo

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Um advogado foi detido na quinta-feira. Ele é suspeito de fornecer chips, celulares e carregadores aos clientes que cumprem pena em presídios do Ceará. A estratégia do defensor de 75 anos para driblar os detectores de metais da segurança dos presídios consistia em dar a desculpa de possuir uma placa de metal implantada em uma das pernas, cada vez que o alarme disparava.

A tática parecia perfeita. Idoso, de 75 anos, mancando e andando com o apoio de uma bengala, o advogado não levantaria a suspeita de agentes prisionais que fazem a segurança dos presídios.

De acordo com o coordenador-adjunto do sistema penal do Estado, Edmar Santos, o advogado passou a ser monitorado após uma visita que fez a clientes presos na Casa de Privação Provisória de Liberdade 1.

Depois da visita, agentes prisionais revistaram os presos e com eles foram encontrados aparelhos celulares e carregadores de bateria.

A estratégia

Como estratégia para passar pelos detectores que acusavam metais ferrosos, o advogado informava que tinha uma placa de metal em uma das pernas. “Mostrou uma cicatriz e tudo. Inclusive ele manca e usa uma bengala para se apoiar”, disse um dos agentes.

Os agentes desconfiaram e informaram o caso à direção do presídio. No dia 29 de março, a Secretária de Justiça (Sejus) comunicou a suspeita à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Ceará e às demais unidades prisionais do Estado para que ficassem alerta.

Nesta quinta, por volta das 9h30min, a história se repetiu quando o defensor visitava dois presidiários no Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira (IPPOO) II, município de Itaitinga, região metropolitana de Fortaleza. A entrada foi permitida. Novamente a segurança interna fez uma vistoria nos clientes após o encontro, e com um deles encontrou cinco chips de celulares.

O advogado então foi levado por agentes da Unidade de Apoio Penitenciário (UAP) à Delegacia Metropolitana de Itaitinga.

O delegado de plantão, Deodato Fernandes, informou que lavrou um Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO) e o advogado foi liberado á tarde, após prestar depoimento. O suspeito alegou ter recebido uma embalagem com o material para ser entregue a um preso, mas sem conhecer o conteúdo.

O crime é previsto no artigo 349 do Código Penal, mas o suspeito pode responder em liberdade.

Procedimento administrativo

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE), Valdetário Mota, contou que a entidade instaurou um procedimento administrativo para apurar o caso logo após receber o ofício da Sejus em 29 de março. “Assim que tomamos conhecimento do caso de hoje anexamos um novo procedimento ao que já existia e enviamos ao presidente do nosso Tribunal de Ética e Disciplina”.

Segundo Valdetário, o tribunal irá avaliar a situação, e o procedimento pode levar até à expulsão dos quadros da entidade, caso seja comprovada ilicitude.

A reportagem do iG também falou com coordenador do Centro de Apoio e Defesa do Advogado, José Navarro, para saber informações sobre o suspeito, mas ele preferiu preservar o colega.

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