Governador do Ceará apoia manifestação, mas defende ação da polícia

Por Bruno Winckler , enviado iG a Fortaleza |

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Cid Gomes falou do confronto entre policiais e protestantes antes do jogo entre Brasil e México

Bruno Winckler
Samu faz atendimento de feridos em protesto no estádio Castelão, em Fortaleza (19/06)

O governador do Ceará, Cid Gomes, defendeu a ação da Polícia Militar do estado no confronto iniciado na tarde desta quarta-feira nas imediações do Castelão, em Fortaleza, com milhares de manifestantes que protestaram contra os gastos públicos na realização da Copa das Confederações e na Copa do Mundo.

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“A polícia não é minha, é do Estado do Ceará. Houve muitos avisos prévios de que se respeitaria (a manifestação). O movimento começou às 10 da manhã. Você viu que não houve nenhuma tentativa de impedir a manifestação. Temos outro papel, é complicado, temos 60 mil pessoas que compraram ingressos e tinham que chegar, centenas de profissionais que tinham de trabalhar. É papel do poder público garantir o acesso, colocaram barreiras e a partir disso não poderia passar”, disse o governador, ainda no Castelão, onde acompanhou o jogo da seleção brasileira contra o México.

Uma barreira do Choque da Polícia Militar foi montado a quilômetros do estádio por recomendação da Fifa, que sugere esse raio como limite para o bloqueio de qualquer pessoa sem ingresso para a partida do seu torneio. Uma garota de 19 anos teve fratura no braço direito por conta do confronto.

“Esse momento requer muita reflexão, principalmente aqui eu vou procurar a liderança do movimento para dialogar pela manifestação, para dar retorno a esse apelo popular. É próprio, é comum, papel da juventude de manifestar”, disse o governador cearense. “É importante que se respeite o direito dos outros, é legítimo, louvável, lutaremos por melhorias na saúde, educação. No Brasil, avançou muito, mas ainda está longe. Eu compreendo perfeitamente”, completou.

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Pelo menos seis policiais ficaram feridos no confronto por conta de pedradas recebidas dos manifestantes. “A polícia é formada por pessoas, foi vítima também, pessoas que ficaram feridas por isso. Eu lamento, acho legítimo o direito da juventude se manifestar. Mas o direito de um tem de respeitar o do outro. Muita gente tinha de chegar. Com apoio da Fifa, polícia federal, exército e outros órgãos foi feito um bloqueio. Imagine um caso extremo se 5 mil invadissem o estádio”, disse, justificando o bloqueio aos manifestantes de forma truculenta.

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