Torcedor fura barreira da PM e protesta em frente ao estádio em Fortaleza

Por Bruno Winckler -  enviado iG a Fortaleza |

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Depois de participar de manifestação que terminou em confronto, jovem levou faixa de protesto para frente do Castelão

O foco do confronto entre policiais e manifestantes em Fortaleza se concentrou a cerca de dois quilômetros do estádio do Castelão, onde a partir das 16h, Brasil e México se enfrentam pela segunda rodada do grupo A da Copa das Confederações. Mas um manifestante que estava lá chegou perto do estádio com sua faixa e seu nariz de palhaço.

Leia também: 5 mil pessoas protestam em Fortaleza e entram em choque com a polícia

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Yan Gioseffi foi ao protesto que teve duração de cerca de duas horas e meia e depois, a pé, seguiu até a porta do Castelão

Yan Gioseffi, carioca de 21 anos, e há três morando no estado de Idaho, nos Estados Unidos, morou em Fortaleza dos nove aos 18 anos. De férias na cidade, onde ainda moram seus pais, ele foi ao protesto que teve duração de cerca de duas horas e meia e depois, a pé, seguiu até a porta do Castelão com uma faixa feita por ele.

“Sempre me interessei por política, pelas questões sociais, mas tive de fugir de Fortaleza por conta da violência. Estou para me formar em Business e quando terminar volto a morar aqui para tentar fazer minha parte”, disse o jovem nascido em 1991, um ano antes dos protestos que derrubaram o presidente Fernando Collor.

O pai de Yan, César, administrador de empresas, mora em Fortaleza desde 2000 e se assusta com os altos índices de violência na cidade. Ele e Yan usavam camisas do movimento “Fortaleza Apavorada”, que há uma semana levou 3 mil pessoas para as ruas da capital cearense para protestarem contra a violência na cidade, problema maquiado durante a Copa das Confederações com um aumento de efetivo de homens da Polícia Militar e das Forças Armadas.

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César Gioseffi com camisa do movimento “Fortaleza Apavorada”, que há uma semana levou 3 mil pessoas para as ruas da capital cearense para protestarem contra a violência

“Precisamos chamar atenção para isso. Essa violência está demais. Não há sossego nas nossas ruas. Educação, saúde, são problemas do país e esses protestos durante a Copa das Confederações ajuda a mostrar para a mídia que a população não está satisfeita”, disse César.

Pai e filho conseguiram ir além da barreira do choque que entrou em confronto com manifestantes porque têm ingressos para a partida da seleção brasileira. “Não somos contra o futebol, amamos o futebol, mas com o mundo olhando para o Brasil precisamos nos movimentar para mostrar nossos problemas”, disse César.

Na faixa de Yan, as palavras “Hoje tem jogo, vai ter circo. E os palhaços somos nós”. Perguntado se a faixa não seria uma contradição em relação ao fato de eles terem ingresso para o circo, Yan fez sua defesa. “O protesto é contra o dinheiro mal utilizado, o dinheiro roubado, desviado, contra corrupção. O futebol é outra coisa”, comentou.

Clima de paz

A movimentação em torno do estádio a poucas horas do jogo foi muito pacífica. Brasileiros e mexicanos se interagem e há poucas filas nas entradas ao redor de todo estádio. Voluntários bem prestativos informavam os torcedores em relação aos portões que deveriam se dirigir e havia um clima de euforia por conta do retorno da seleção brasileira à cidade depois de 11 anos.

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