RIO DE JANEIRO - Há 50 anos, o maestro, compositor e arranjador Radamés Gnatalli modernizou o choro com experimentações sonoras, que aproximavam a música erudita e a popular. No século 21, o gênero nascido no Rio de Janeiro continua se renovando.

Anteontem, foi aberta no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio a série 'Relendo o Choro', criada para mostrar o que 'chorões' da cidade e também de São Paulo andam tocando e cantando. O Novo Quinteto, herdeiro de Radamés, abriu a programação. Formado em 2000, o conjunto de Henrique Cazes (guitarra e cavaco), Maria Teresa Madeira (piano), Marcos Nimrichter (acordeão), Omar Cavalheiro (contrabaixo) e Oscar Bolão (bateria) guia-se pelas partituras originais do compositor, mas abre espaço para solos de guitarra.

No repertório, Jacob do Bandolim (Biruta), Pixinguinha (Sofres Porque Queres) e Radamés (Remexendo, Amargura, Variações Sobre o Samba do Urubu). O quinteto do Radamés foi muito importante para se iniciar o processo de experimentação e releitura do choro. Usamos arranjos escritos por ele há mais de 50 anos que soam completamente contemporâneos, diz Cazes. Ele estava realmente muito à frente de todos. Os shows são no teatro II do CCBB, sempre às terças-feiras, e em dois horários, às 12h30 e às 18h30.

Na próxima semana, os convidados vêm de São Paulo. Será a vez do Quatro a Zero, de Campinas, que privilegia compositores do interior de Estado, como Bonfiglio de Oliveira, Nabor Pires Camargo e Laércio de Freitas, cujas obras são pesquisadas pelos músicos. No dia 17, vem a Moderna Tradição, também de São Paulo, com clássicos de Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Garoto.

Cria da Lapa carioca, o Tira Poeira fecha o ciclo no dia 3 de março (a série faz pausa para o carnaval), com seu choro misturado (que se deve à formação eclética de seus cinco integrantes, egressos do clássico, samba e jazz). Vão de Benedita Lacerda, Waldir Azevedo e Ernesto Nazareth, entre outros. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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