Causa da morte de Michael Jackson segue incerta após autópsia

Por Dan Whitcomb e Laura Isensee LOS ANGELES (Reuters) - Médicos finalizaram uma autópsia no corpo de Michael Jackson nesta sexta-feira mas disseram que não puderam determinar imediatamente uma causa para a morte do rei do pop enquanto a especulação foca-se no uso de medicamentos prescritos ao cantor.

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"A causa da morte foi adiada, o que significa que o examinador pediu testes adicionais como toxicologia e outros estudos", disse o porta-voz dos médicos legistas do condado de Los Angeles, Craig Harvey.

"Estes testes, esperamos, levarão de quatro a seis semanas."

Falando com repórteres que aguardavam no prédio do instituto de medicina legal, Harvey disse: "Não há indicação de nenhum ferimento externo ou indicação de agressão no corpo do sr. Jackson".

Ele disse que a causa da morte de Jackson, de 50 anos, deve ser determinada quando os testes forem finalizados.

O corpo será liberado a familiares após a escolha de uma funerária, disse Harvey.

Um membro próximo à família de Jackson disse ao site TMZ.com que o cantor recebeu uma injeção do analgésico Demerol antes de sofrer a parada cardíaca em sua casa alugada, por volta do meio-dia da quinta-feira no horário local. Pouco depois, o site divulgou que Jackson morrera num hospital de Los Angeles.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que Jackson era um "artista espetacular", mas que alguns aspectos da sua vida eram "tristes e trágicos", disse a Casa Branca.

A morte de Jackson fez manchetes em todo o mundo. A TV e as rádios tocaram seus maiores sucessos, de "Thriller" a "Billie Jean", e os sites de relacionamento social foram bombardeados com mensagens e homenagens de fãs e músicos.

"É tão triste e chocante", disse o ex-Beatle Paul McCartney. "Me sinto privilegiado por ter trabalhado e passado tempo com Michael. Ele foi um menino homem de talento imenso e alma gentil. Ele será lembrado para sempre."

LEGIÕES DE FÃS

Quando o dia amanheceu no Hollywood Boulevard, fãs se reuniram diante da estrela de Jackson na Calçada da Fama para prestar homenagem ao ex-menino-prodígio que se tornou um dos artistas pop de maiores vendas de todos os tempos, antes de mergulhar num estilo de vida estranho e recluso, em meio a acusações de abuso sexual infantil.

"Sua música foi a trilha sonora da minha infância", disse Tassa Hampton, 32 anos, ajoelhando-se para acender uma vela em meio à pilha crescente de flores e pôsteres.

O advogado Brian Oxman, porta-voz da família Jackson, disse na sexta ao "The Early Show", da CBS, que estava preocupado com os medicamentos receitados por médicos que Jackson tomava devido a ferimentos sofridos em apresentações.

"Não quero apontar culpados porque quero ouvir o que dizem os exames toxicológicos e os médicos legistas, mas a verdade é que Michael Jackson tinha medicamentos receitados à sua disposição em todos os momentos", disse Oxman.

Diante de sua reputação prejudicada e de uma dívida enorme que, segundo o Wall Street Journal, chegava a 500 milhões de dólares, Jackson passara os últimos dois meses ensaiando para os concertos.

Um processo complexo começou em Londres para reembolsar as pessoas que compraram ingressos para os shows, incluindo os que compraram de revendedores não autorizados. Um par de passes VIP foi oferecido recentemente no eBay por 16 mil libras (mais de 25 mil dólares).

Com sua morte, a música de Jackson desfruta um renascimento comercial que ele não tinha havia anos. Em poucas horas suas canções ocupavam os 15 primeiros lugares entre os álbuns mais vendidos pela loja online Amazon.com.

750 MILHÕES DE CÓPIAS VENDIDAS

Jackson é considerado um dos mais bem-sucedidos artistas do século passado, com vendas estimadas de 750 milhões de discos e 13 prêmios Grammy.

Mas a reputação de Jackson por sua música e sua dança foi ofuscada pelos recentes anos de aparência cada vez mais anormal e estilo de vida esquisito, o que inclui a amizade com um chimpanzé e a preferência da companhia de crianças.

Ele batizou uma propriedade na região central da Califórnia de Rancho de Neverland Valley (ou Rancho do Vale da Terra do Nunca, numa tradução para o português), em homenagem à história de Peter Pan, escrita por J. M. Barrie. O local tinha um parque e um zoológico de animais de estimação.

Jackson foi acusado por duas vezes de molestar jovens e foi formalmente indiciado em 2003 de abuso sexual de crianças. Ele se tornou ainda mais recluso após sua absolvição em 2005 e prometeu que nunca mais moraria em seu rancho.

Apesar dos relatos de problemas na saúde do cantor, os promotores dos shows de Londres, a AEG Live, afirmaram em março que Jackson havia passado por uma série de exames de quatro horas e meia com médicos independentes.

MOONWALK

Jackson nasceu em 29 de agosto de 1958, na cidade de Gary, Estado de Indiana. Ele era o sétimo de nove filhos e atuou ao lado de seus irmãos no grupo Jackson 5.

O álbum "Thriller", de 1982, emplacou sete músicas entre as dez mais tocadas. O disco vendeu 21 milhões de cópias nos Estados Unidos e ao menos outras 27 milhões ao redor do mundo.

No ano seguinte, ele mostrou ao mundo seu passo de dança conhecido como "moonwalk", no qual ele desliza de costas no palco, quando cantava "Billie Jean" durante especial da emissora NBC. O passo se tornou uma de suas marcas registradas.

Em 1994, o cantor casou-se com a única filha de Elvis Presley, Lisa Marie, mas o casamento acabou em divórcio em 1996.

Jackson casou-se com Debbie Rowe em 1996 e teve dois filhos antes de se separar novamente em 1999. Ele teve um outro filho cuja mãe não foi identificada.

Ele deixa os três filhos chamados Prince Michael I, Paris Michael e Prince Michael II, este último conhecido por uma breve aparição pública quando o pai o chacoalhou em uma janela de hotel, gerando duras críticas.

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