Cataratas do rio East são a mais nova atração de Nova York

Elena Moreno Nova York, 26 jun (EFE).- Quatro cascatas gigantes construídas pelo artista dinamarquês Olafur Eliasson transferem a partir de hoje os espetáculos das famosas Cataratas do Niagara, no norte do estado de Nova York, para as águas do rio East, em Manhattan.

EFE |

As águas tranqüilas do rio East, que banham a costa leste da Grande Maçã, serão até 13 de outubro um palco que terá como protagonista a água, graças a uma monumental e milionária obra de engenharia construída para o deslumbramento de nova-iorquinos e turistas.

Trata-se de quatro estruturas gigantes de ferro, de cerca de 40 metros de altura, obra de Eliasson e com as quais Nova York se torna novamente cenário de um projeto artístico público de grande envergadura.

Um sistema hidráulico se encarrega de bombear a água do rio até a parte de cima das quatro estruturas, que deixam cair 160 mil litros de água por minuto.

As cataratas de Eliasson podem ser vistas em quatro pontos emblemáticos na costa de Nova York, como do Porto do Brooklyn, entre os embarcadouros 4 e 5, no píer 35 do sul de Manhattan e na pequena Governors Island, ao lado de Manhattan.

É possível chegar até às cataratas de barco, a pé, de bicicleta ou de carro, e até uma balsa foi colocada à disposição do público para fazer excursões de meia hora a estes pontos turísticos.

O projeto das cataratas de Nova York lembra o bem-sucedido The Gates, quando foram montados 7.305 portais de cor laranja, nos quais eram pendurados telas da cor do açafrão, que há três anos decoraram os caminhos do Central Park, o grande pulmão verde nova-iorquino.

A união dos artistas Christo e Jeanne-Claude experimentou assim uma iniciativa que durou apenas 16 dias, mas que se transformou em um fenômeno em relação ao número de visitantes e negócios gerados.

Na época, os hotéis com vista para o Central Park aproveitaram para oferecer pacotes especiais, que chamaram de The Gates, enquanto alguns restaurantes criaram pratos com açafrão, e agora alguns já oferecem excursões em torno das espetaculares cascatas que são iluminadas à noite.

Prevê-se que esta iniciativa traga os cofres nova-iorquinos mais de US$ 50 milhões nos três meses de funcionamento das cascatas, segundo as autoridades municipais.

Para o lançamento da The New York City Waterfalls, colaboraram a Prefeitura de Nova York e a Fundação de Arte Pública, que coopera com as autoridades nova-iorquinas desde 1977.

A presidente da Fundação de Arte Pública, Susan Freedman, considera o monumental projeto como exemplo do compromisso da organização "com artistas que vão além dos limites da arte pública e das formas que pode adquirir".

"A arte pública de grande escala é o que faz de Nova York o centro cultural do mundo. Estimula os nova-iorquinos e os visitantes de todo o mundo a viverem uma experiência que só acontece uma vez na vida", disse o prefeito da cidade, Michael Bloomberg, ao apresentar o projeto.

Bloomberg acrescentou que as cataratas de Manhattan são um "novo capítulo no grande legado cultural" da cidade, desta vez pelas mãos de um dos grandes artistas europeus contemporâneos.

De pais islandeses, Eliasson nasceu em Copenhague em 1967 e vive em Berlim, de onde divulga suas obras, que normalmente usam elementos da natureza para evocar experiências sensoriais.

Sua obra foi objeto em abril de uma retrospectiva do Museu de Arte Moderna de Nova York.

"Ao desenvolver as cataratas de Nova York tentei trabalhar com uma noção tão complexa como a dos espaços públicos", disse o artista em comunicado de imprensa.

Eliasson considerou que suas gigantescas cascatas aparecem "no meio de um denso tecido político, social e ambiental no coração da cidade de Nova York", e que também podem dar às pessoas "a possibilidade de reconsiderar sua relação com o arredor espetacular".

"Espero que evoquem experiências individuais e reforcem o sentido da coletividade", acrescentou.

Assim que terminar o trabalho de Eliasson, considerado "modelo de design ecológico" pelo responsável da conservação do rio East, Alex Matthiessen, as estruturas de ferro serão recicladas para serem usadas em futuros projetos. EFE emm/wr/fal

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