Embora a taxa de mortalidade pela gripe A (H1N1) venha crescendo no Brasil, colocando o País na 5.ª posição do ranking mundial, o número de casos notificados registra forte queda.

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, apontam retração de 98,4% no total de casos na primeira semana epidemiológica de setembro (6 a 12 de setembro) ante a primeira de agosto (2 a 8 de agosto) - período de pico dos registros no País. Neste intervalo, o volume de notificações caiu de 2.283 para 35. Os dados do Sinan revelam que essa foi a maior baixa mensal registrada desde o surto da gripe no Brasil, em maio.

De acordo com o Ministério da Saúde, o número de casos de gripe suína cresceu desde junho, chegou ao pico na primeira semana de agosto e vem caindo substancialmente desde a metade do mês passado. Técnicos do governo apontam como fator responsável pelo recuo o aumento da temperatura nas últimas semanas de inverno, o que diminuiu o potencial de transmissão do vírus. Outro elemento atribuído pelos especialistas como decisivo é a maior resistência das pessoas à gripe, uma vez que muitas já teriam desenvolvido anticorpos para o vírus.

Mortalidade

Os últimos dois boletins do ministério, contudo, datados de setembro, apontam alta na taxa de mortalidade, que passou de 0,34% para 0,46%. O crescimento fez com que o País passasse da 6.ª nação com a maior proporção de mortes por grupo de 100 mil habitantes para a 5.ª posição, atrás de Argentina, Paraguai, Austrália e Chile. O último boletim oficial, com registros até 12 de setembro, informou 10.401 casos graves com confirmação laboratorial para algum tipo de influenza, sendo 9.249 (88,9%) positivos para o novo vírus A (H1N1). O número de mortes chegou a 899.

O Ministério da Saúde esclarece que o descompasso entre o crescimento da taxa de mortalidade e a forte queda no volume de casos notificados deve-se à natureza do sistema de contabilização, que tem caráter cumulativo. Desde 25 de abril, todos os casos de gripe suína notificados são somados e calculados em relação ao total de habitantes, de acordo com dados atualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, muitos dos casos que acarretaram morte no primeiro semestre foram identificados como consequência da gripe A (H1N1) apenas mais recentemente.

O chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Gustavo Johanson, diz que "é visível" a menor procura nos postos médicos. "A diferença entre agosto e setembro é bem clara. Caiu muito o volume de pessoas que procuraram unidades de saúde especializadas no combate à doença", ressalta. Johanson atribui o resultado ao fim do inverno e aumento das temperaturas. "Outro fator também importante foi a postergação do início das aulas, que diminuiu bastante o contágio entre as crianças e jovens", observa.

O médico garante que o risco de novos picos da doença é pequeno em 2009, mas não refuta a possibilidade de um novo surto no inverno do ano que vem. "A transmissão do vírus deve voltar a um patamar endêmico a partir de maio do ano que vem. Até lá, as pessoas podem ficar mais tranquilas, sem, no entanto, deixarem de se precaver", alertou.

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