Casos de H1N1 no país chegam a 399; mais escolas suspendem aulas

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os casos confirmados de gripe H1N1 no Brasil subiram para 399 e mais escolas decidiram nesta quarta-feira suspender as aulas para tentar impedir uma disseminação ainda maior da doença. Somente em São Paulo e no Rio de Janeiro, que junto com Minas Gerais são os Estados com o maior número de casos registrados da doença, ao menos 10 mil alunos tiveram as aulas interrompidas pela gripe.

Reuters |

De acordo com o Ministério da Saúde, 65 novos casos foram notificados nesta quarta-feira, após os 94 confirmados na véspera. Outros 310 casos são considerados suspeitos.

O ministério reiterou o alerta feito na terça-feira pelo ministro José Gomes Temporão para que crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa não viajem para países com transmissão sustentada do vírus.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), Estados Unidos, México, Canadá, Austrália, Chile e Argentina são considerados os países com transmissão sustentada.

"Ressaltamos que não há proibição nem restrição de trânsito de pessoas entre o Brasil e esses países. A recomendação é uma medida adicional de prevenção, tendo como base critérios epidemiológicos e o aumento, com a proximidade das férias de inverno, da circulação de turistas brasileiros em países com transmissão sustentada da doença", disse o ministério em comunicado.

Em São Paulo, onde desde sexta-feira algumas escolas já tinham anunciado a antecipação das férias, pelo menos mais quatro colégios decidiram suspender as aulas nesta quarta-feira após alunos terem sido confirmados com o vírus.

As escolas Viva, Madre Iva e Júlio de Mesquita anteciparam as férias de todas as turmas, totalizando 2.500 alunos, enquanto na Visconde de Porto Seguro a turma de um aluno que teve a doença confirmada também está sem aulas.

No início da semana, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) já tinha interrompido as aulas de 1.700 alunos no campus de Assis, que se somaram a mais 2 mil das escolas Magno e Palmares.

O colégio Santo Inácio, na zona Sul do Rio de Janeiro, foi o primeiro da cidade a interromper as aulas por causa da gripe H1N1, após dois alunos terem sido confirmados com a doença e outros dois estarem com suspeita.

Todas as turmas do período diurno foram afetadas pela suspensão das aulas, o que totaliza 3.500 alunos, informou a escola.

"Mesmo não sendo esta a recomendação do Ministério da Saúde... a direção do colégio, por prudência, decidiu suspender as aulas de todas as séries do colégio", disse a escola em comunicado, acrescentando que todos os casos de gripe e suspeitos são relacionados a viagens recentes para o exterior.

A escola Parque, também na zona sul do Rio, suspendeu aulas de uma classe que teve um aluno confirmado com a doença, enquanto outras escolas em Porto Alegre e em Belo Horizonte adotaram medidas semelhantes após a confirmação de casos de gripes em seus alunos.

O Ministério da Saúde informou em comunicado que entre os 399 casos confirmados da doença, dois pacientes estão internados no Rio Grande do Sul. O Hospital Universitário de Santa Maria informou que o estado de saúde de uma paciente internada na UTI segue grave, porém estável.

A menina, de 14 anos, é um dos cinco casos confirmados no município de São Gabriel, que declarou estado de emergência devido ao surto da doença na cidade.

Apesar de em 15,5 por cento dos casos confirmados a transmissão ter acontecido dentro do território brasileiro, o ministério afirmou em nota que "até o momento, a transmissão no Brasil é limitada, sem evidências de sustentabilidade da transmissão do vírus de pessoa a pessoa".

Entre os casos contraídos no exterior, os principais locais de provável infecção são Argentina (119 casos), Estados Unidos (57) e Chile (11), disse o ministério.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, criticou o governo brasileiro nesta quarta-feira devido à orientação de Temporão contra as viagens a Chile e Argentina, os dois países sul-americanos mais atingidos pela gripe, com 5.186 e 1.294 casos confirmados, e 7 e 17 mortes, respectivamente.

(Por Pedro Fonseca, com reportagem adicional de Hugo Bachega em São Paulo; Edição de Eduardo Simões)

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