Caso Stang: condenado poderá recorrer em liberdade

"Taradão" foi o último julgado no caso. Ele foi condenado por ser um dos mandantes do assassinato da religiosa norte-americana

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Fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão, durante julgamento
A desembargadora Maria de Nazaré Gouveia, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) concedeu, nesta terça-feira, liberdade provisória, por meio de liminar, para o fazendeiro Regivaldo Galvão, condenado a 30 anos de prisão, em regime fechado.

A missionária foi morta em fevereiro de 2005 no município de Anapu (PA). A decisão da desembargadora terá o mérito apreciado nas Câmaras Criminais Reunidas do TJ-PA.

Em seu despacho, a magistrada considerou que Regivaldo preencheu os requisitos da lei para aguardar o julgamento do recurso de apelação em liberdade. "O direito do réu de apelar em liberdade não lhe pode ser denegado se permaneceu solto durante a instrução criminal e não restaram evidenciadas quaisquer das hipóteses previstas no art. 312 do CPP, quando da prolação da decisão condenatória (Precedentes). Assim, diante da fundamentação apresentada, considerando estarem presentes os requisitos autorizadores, concedo a liminar requerida e determino a expedição de alvará de soltura em favor do paciente Regivaldo Pereira Galvão. Solicitem-se de ordem informações a autoridade apontada como coatora, a qual deverá ser prestada no prazo de 48 horas", determinou a magistrada.

Galvão, conhecido como "Taradão", foi julgado e condenado no dia 1º de maio. Ele foi julgado sob acusação de ser um dos mandantes do assassinato da religiosa norte-americana naturalizada brasileira, que defendia o direito à terra de pequenos produtores rurais da região de Altamira (PA). Durante o interrogatório, Galvão negou o crime e não respondeu às perguntas da promotoria. 

Morte da missionária

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Irmão da missionária assassinada Dorothy Stang, David Stang (e), durante o julgamento do fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, o "Taradão"
O crime ocorreu em 12 de fevereiro de 2005 em Anapu (PA). Por volta das 7h30, a missionária Dorothy Stang seguia para uma reunião com colonos na cidade de Anapu, no Pará. No caminho, encontrou Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista, os quais, conforme o Ministério Público, aguardavam a passagem da vítima.

Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros, disparados por Rayfran, réu confesso. Segundo o Tribunal de Justiça, Clodoaldo atuou como facilitador para a ação de Rayfran, distraindo a vítima.

O crime teria sido encomendado a um valor de R$ 50 mil, sendo Rayfran e Clodoaldo denunciados como executores, Amair Feijoli da Cunha como intermediador, e os fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura (Bida) e Regivaldo Pereira Galvão como mandantes.

Até agora, foram condenados Rayfran das Neves, que cumpre pena de 28 anos de prisão, Clodoaldo Batista, condenado a 17 anos, e Amair Feijoli, a 18 anos, e o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, a 30 anos. Ela morava havia mais de 20 anos na região, ajudando agricultores ameaçados por fazendeiros e madeireiras ilegais.

(*com informações da Agência Estado)

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