Caso João Hélio impulsionou pacote de segurança

O pacote de projetos na área de segurança pública, aprovado na quarta-feira em votação simbólica pelo plenário da Câmara, ganhou velocidade no Congresso depois de um caso de violência emblemático: o assassinato do menino João Hélio, 6 anos, morto após ser arrastado por um carro guiado por criminosos em fuga, em fevereiro de 2007, no Rio. Ontem, o pai do menino, Elson Lopes Vieites, não quis comentar a votação.

Redação com Agência Estado |

AE

João Hélio foi arrastado por assaltantes, preso ao cinto de segurança, do lado de fora do carro da mãe, Rosa Cristina Fernandes, por 7 quilômetros. No fim de janeiro, a oito dias de a morte do menino completar um ano, quatro acusados foram condenados em primeira instância a mais de 20 anos.

Carlos Eduardo Toledo Lima, de 23 anos, que dirigia o carro, foi condenado a 45 anos de prisão, e Diego Nascimento da Silva, de 18, que estava no banco do carona, recebeu pena de 44 anos e 3 meses. Thiago Abreu Matos, de 19, e Carlos Roberto da Silva, de 21, foram condenados a 39 anos - eles não estavam no carro, mas participaram do assalto e deram cobertura no percurso, segundo a sentença.

Todos foram absolvidos da acusação de formação de quadrilha. Um adolescente que estava no banco de trás foi punido, em março de 2007, com a mais dura medida permitida - internação de até 3 anos.

O crime ocorreu em 7 de fevereiro de 2007, quando Rosa voltava para casa com João Hélio e a filha Aline, de 13. Ao parar num sinal de trânsito em Oswaldo Cruz, na zona norte, foi abordada pelos criminosos, armados, que ordenaram que saísse do carro. Aline e Rosa, que estavam nos bancos da frente, saíram. Quando Rosa tirava o filho do banco de trás, que estava com o cinto de segurança, um deles bateu a porta, e outro arrancou. O corpo foi arrastado por 14 ruas de quatro bairros. Os assaltantes abandonaram o carro com o menino pendurado e fugiram.

Opinião de especialistas

As propostas de segurança aprovadas pela Câmara foram bem recebidas por especialistas em segurança. "Analisei a justificativa dos Parlamentares para aprovação do projeto e ela me pareceu bem razoável", disse Paula Ballesteros, do Núcleo de Estudos de Violência da Universidade de São Paulo (USP).

Paula ressalta, porém, que o projeto foi "vendido" como um pacote anti-violência e, da forma como foi apresentado não é. "Disseram muito em pacote anti-violência e não podemos falar isso, ainda precisa de muitas ações para que possamos usar essa nomenclatura".

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