Caso Isabella: polícia diz que não há indícios de estranhos na cena do crime

SÃO PAULO - Em suas considerações preliminares, a delegada-assistente do 9º Distrito Policial de São Paulo (Carandiru), Renata Helena da Silva Pontes, que investiga a morte de Isabella Nardoni, disse que não há qualquer indício de uma terceira pessoa ter estado na cena do crime. Na madrugada desta terça-feira, o Jornal da Globo mostrou as primeiras imagens do apartamento de onde a menina Isabella foi jogada no sábado, dia 29 de março, na zona norte de São Paulo.

Redação com Agência Estado |

Pouco tempo antes, o "Jornal Nacional" revelou  parte do conteúdo do depoimento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

De acordo com a reportagem, no dia seguinte à morte de Isabella, Anna Carolina disse à polícia que já havia tido desentendimentos com a mãe da menina , Ana Carolina de Oliveira, por ciúmes.

Em texto datado do dia 2 de abril, a delegada Renata Helena afirma que a mãe da criança, Ana Carolinha de Oliveira, reclamou do ciúme doentio da madrasta, em depoimento à polícia. A certeza do casal sobre como se deu a queda da criança, acreditando que foi provocada, também é alvo de crítica da polícia.

Veja abaixo mais detalhes das conclusões preliminares dos investigadores sobre o caso.

"A hipótese de um estranho ter estado no apartamento, além de não apresentar qualquer coerência, considerando a dificuldade que encontraria para entrar em um edifício, diante do exíguo tempo disponível para praticar todo o mal contra a criança, diante do total absurdo caso tivesse alguém agido dessa forma, precipitando uma criança inocente, que não oferece qualquer obstáculo à fuga, que segundo o pai encontrava-se, inclusive, dormindo, não foi corroborada por quem quer que seja, não foi alicerçada por qualquer prova material ou testemunhal.

Reprodução/ TV Globo

(...) em momento algum tiveram a iniciativa, comumente instintiva, de ligar para (...) o socorro, mesmo estando na posse de celulares, preferindo ligar para os respectivos pais, usando o telefone fixo do apartamento. Esse comportamento incomum, revela, quiçá, que ambos já sabiam que nada mais tinham a fazer para salvar a vida da criança, necessitando, naquele momento, de proteção paterna para eles próprios. (...)

Alexandre e Anna Carolina afirmaram possuir um relacionamento harmônico e civilizado, o que foi amplamente desmentido pelas testemunhas (...)

A ex-companheira de Alexandre e mãe biológica da vítima, também revelou que Anna Carolina tinha um comportamento doentio, de ciúmes e possessividade em relação a Alexandre, a ponto de não permitir que a ex-mulher com ele falasse a respeito da filha, tendo ela que intermediar a conversação e de não permitir sequer que a ex-companheira soubesse o endereço onde moravam, querendo, por certo, mantê-la longe (...).

Os advogados de defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá disseram nesta terça-feira que o casal está hospedado na casa dos pais de Alexandre, no Tucuruvi, na zona norte de São Paulo. Por volta das 13 horas, os advogados Rogério Neres de Sousa e Ricardo Martins chegaram à residência dos Nardoni e falaram rapidamente com os jornalistas.

Pela manhã, o pai de Alexandre, Antônio Nardoni, saiu da residência em um Vectra e retornou duas horas depois. Uma amiga da família também esteve na casa dos Nardoni e entrou carregando quatro sacolas. Durante a madrugada, duas cartas foram deixadas na casa, uma na garagem e outra na escada.

Pegada no lençol

Peritos do Instituto de Criminalística (IC) concluíram que a pegada encontrada no lençol do quarto em que Isabella teria sido jogada, na noite de 29 de março, é compatível com o calçado de Anna Carolina Jatobá, de 24 anos, madrasta da garota.

Em depoimento, ela declarou que usava tamancos naquela noite e os tirou assim que entrou no apartamento, deixando-os na cozinha.

Reprodução
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Roupas de Isabella foram entregues à polícia
Os policiais sabem que, isoladamente, a prova é frágil, mas o objetivo é relacionar essa informação aos indícios recolhidos no apartamento para tentar reconstituir a cena do crime e descobrir quem esteve no local quando a criança foi arremessada.

Duas informações são consideradas fundamentais: a mancha de sangue no lençol e as detectadas na calça jeans e numa camisa da madrasta. "O cruzamento dessas provas será útil no momento em que tivermos de indicar quem possivelmente estava no quarto no momento em que a menina foi arremessada", disse um perito.

Na avaliação do IC, a distância entre as gotas de sangue encontradas no quarto condiz com os passos de uma pessoa adulta. Como Isabella apresentava profundo corte na testa, os peritos desconfiam que alguém a carregou no colo.

Na próxima quarta-feira, as equipes do IC e do Instituto Médico Legal (IML) destacadas para elucidar o caso vão se reunir para tirar as primeiras conclusões que constarão do laudo final. A previsão é de que o documento seja finalizado até sexta-feira, quando os exames de DNA deverão estar prontos.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas, disseram esperar que "a justiça seja feita".

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