O pedreiro Gabriel do Santos Neto disse hoje ao juiz do 2º Tribunal do Júri de São Paulo, Maurício Fossen, que a obra em que trabalhava, nos fundos do Residencial London, onde foi morta a menina Isabella de Oliveira Nardoni, não foi arrombada no final de semana do crime. Em entrevista ao jornal Folha de S.

Paulo, ele havia relatado um arrombamento na obra. Porém, em depoimento à polícia, desmentiu o acontecido. Isabella foi assassinada no prédio, na zona norte da capital paulista, no dia 29 de março.

Questionado hoje pela defesa dos acusados do crime, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá - pai e madrasta de Isabella -, o pedreiro, de 46 anos, negou sequer ter dado qualquer entrevista. Ele disse que a única vez que falou com jornalistas foi após ter prestado depoimento à polícia, quando foi cercado por repórteres a apenas repetiu o que havia dito ao delegado.

Gabriel relatou ainda que, depois de voltar da delegacia, foi procurado na obra por um repórter e lhe disse que precisava da autorização do patrão para falar. O pedreiro afirmou, então, que saiu para falar com o patrão e quando voltou, a pessoa não estava mais lá.

A testemunha trabalhava e dormia na obra de segunda à sexta e disse que nunca houve qualquer furto ou arrombamento no local nos sete meses em que esteve lá. Gabriel contou ainda que havia um muro entre o terreno e o Residencial London de quatro metros de altura e que na obra não havia escadas, cordas ou andaime da época do crime.

Durante o depoimento, os advogados de defesa do casal Nardoni pediram ao juiz Maurício Fossen para que ouvissem uma fita com o áudio da entrevista que teria sido concedida por Gabriel ao jornalista da Folha de S.Paulo . No entanto, Fossen negou a solicitação por considerar que o Ministério Público (MP) e a defesa já tinham conhecimento do áudio e que o pedreiro estava ciente das conseqüências de prestar hoje um falso testemunho.

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