Caso de modelo que teve de amputar mãos e pés é raro, diz médico

SÃO PAULO - A história da modelo Mariana Bridi, ex-Miss da Américas que teve de amputar as mãos e os pés e retirar o estômago devido às complicações de uma infecção urinária, comoveu o País nesta semana. O caso da modelo é bastante raro, explica o médico infectologista do Hospital Nove de Julho e professor Antônio Carlos Campos Pignatari. Porém, ele ressalva que as mulheres precisam ficar atentas ao tratamento das infecções urinárias. ¿Principalmente se elas aparecem várias vezes¿, completa.

Amanda Demetrio - Último Segundo |

Pignatari explica que este tipo de amputação (de mãos e pés) foi uma exceção. Em casos desta gravidade é comum haver amputação de pés, ou dedos, mas nas mãos é muito difícil. Ele explica que a mão tem dois sistemas circulatórios e é preciso comprometer os dois para que a necrose aconteça.

Arquivo pessoal
Modelo está internada em estado grave no Espírito Santo

Outro fator raro no caso da modelo é o tipo de bactéria que causou a infecção. A Pseudomonas aeruginosa é incomum fora do ambiente hospitalar e causa somente 1% dos casos, conta Pignatari.

Mariana teve uma infecção urinária diferente do comum. O médico explica que o tipo mais recorrente de infecção urinária é a cistite e, geralmente, estes quadros não são tão graves e apresentam poucos sintomas como ardor, incômodo e uma urina com cor e odor diferenciado. O problema é mais comum em mulheres e bem difícil de acontecer em homens com menos de 60 anos.

A prevenção é muito difícil, mas uma boa higiene e verificação de problemas ginecológicos podem prevenir a entrada da bactéria no corpo, conta. Sentidos os sintomas, deve-se procurar um médico e realizar o tratamento adequado, completa. Além da prevenção, Pignatari recomenda exames regulares para verificar outras doenças que, como o diabetes, podem agravar uma possível infecção.

As dicas do médico devem ser seguidas à risca, já que uma cistite que não é tratada corretamente pode evoluir para uma infecção de rim e bexiga. A pielo nefrite, como é chamada esta doença, é mais grave e acontece somente em alguns pacientes. Ainda assim, ela pode ser tratada com antibióticos, diz o médico

Em um estágio mais grave da doença, a pielo nefrite pode evoluir. Isto acontece quando as bactérias conseguem entrar na corrente sanguínea, o que foi o caso da modelo, conta Pignatari, que completa que ela também teve uma reação extrema a estas bactérias em seu sangue (um choque infeccioso). O médico explica que, em alguns casos, as substâncias produzidas pelo corpo e pelas bactérias após o choque fazem com que os vasos do corpo se dilatem e o paciente não consiga manter sua pressão.

Um tratamento a base de líquidos e antibióticos geralmente ajuda a melhorar este estado, mas Pignatari conta que provavelmente Mariana tinha algum problema vascular anterior e teve que ser submetida a medicamentos que fecham os vasos sanguíneos.

Diante do remédio, a modelo teria reagido mal e mais uma vez piorado, já que a amputação foi decorrente de uma coagulação do sangue nas extremidades. Sem sangue nas extremidades, a prioridade do corpo é manter protegidos o coração e o cérebro, explica Pignatari, e completa que pode ocorrer um quadro de necrose nas partes do corpo aonde o sangue não chega mais. Neste caso, a amputação é necessária.

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