Caso Battisti está encerrado para presidente Lula, afirma porta-voz

BRASÍLIA - O porta-voz da presidência da República, Marcelo Baumbach, afirmou nesta quarta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera encerrado o caso do ex-ativista de esquerda italiano Cesare Battisti. O presidente Lula não falará mais sobre esse assunto, essa questão está encerrada no Executivo, ressaltou. O ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu a Battisti o status de refugiado político no dia 13 deste mês.

Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias |

AP
Battisti foi condenado à prisão perpétua

Battisti foi condenado
à prisão perpétua

O porta-voz fez uma ponderação. Ele disse que o caso está encerrado no Executivo. O motivo do adendo é que o caso de Battisti ainda será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em parecer enviado ao tribunal, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, disse que os magistrados têm duas alternativas: considerar o caso encerrado com a concessão do refúgio e, desta forma, libertar o italiano, ou decidir pela extradição, pedida pelo governo da Itália.

A declaração vem em um momento tenso nas relações entre Brasil e Itália. A ponto de, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal "O Estado de S.Paulo", o presidente Lula ter pedido a seus auxiliares que "esfriem" o caso. Até o cancelamento do amistoso entre Brasil e Itália, em fevereiro, foi cogitado pelas autoridades italianas.

No ato mais significativo até agora, a Itália chamou seu embaixador no Brasil, Michele Valensise, para consultas. O chanceler italiano (cargo equivalente ao de ministro das Relações Exteriores no Brasil), Franco Frattini, disse que a concessão do refúgio a Battisti é " muito grave " e " inaceitável".

Frattini convocou Valensise para discutir novas diretrizes a serem tomadas antes do julgamento da extradição pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A convocação de um embaixador é um ato que mostra profundo desagrado em relação a outro País. Como exemplo, em 2008, o Brasil convocou seu embaixador no Equador quando o governo do País vizinho disse que não ia pagar a dívida com o BNDES.

Cesare Battisti havia sido condenado à prisão perpétua na Itália por crimes cometidos entre 1977 e 1979, quando era membro do grupo armado Proletários Armados pelo Comunismo. Ele é acusado de matar um guarda penitenciário e um açougueiro e também de participar no planejamento de outros dois assassinatos durante os chamados Anos de Chumbo, quando militantes de esquerda se armaram para combater o Estado italiano.

Um dos casos mais graves foi o assassinato de Aldo Moro, líder da Democracia Cristã na Itália, que conduzia um acordo para selar uma coalizão com o Partido Comunista Italiano. Moro foi morto pelas Brigadas Vermelhas. Ao assassinato se sucederam uma série de ações repressivas contra esses militantes. 

Battisti viveu na França até 2004, quando, sob ameaça de extradição, fugiu para o Brasil. Ele foi preso em 2007, em um apartamento no Rio de Janeiro, em uma operação com a participação da Interpol e das polícias da Itália, do Brasil e da França.


Veja também:

Leia mais sobre: Cesare Battisti

    Leia tudo sobre: asilo políticocaso battisticesare battisti

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG