É um abacaxi difícil de descascar. Foi assim que reagiu o ex-deputado federal por Alagoas e presidente estadual do Democratas, José Thomaz Nonô, quando questionado sobre o processo administrativo disciplinar contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

Nonô disse que ficou sabendo ontem à noite que seria o relator do processo. Ele admite que será uma tarefa difícil, mas que irá colaborar com o partido. O ex-deputado alagoano substitui o deputado José Carlos Machado (DEM-SE), que desistiu da indicação de ser o relator do caso Arruda.

Nonô disse que tudo que está sabendo sobre o caso é o que vem sendo divulgado pela imprensa e prometeu ser célere na análise do caso. "Não quero imprimir juízo de valor, mas posso dizer que as acusações são graves", ponderou. Ele disse também que viaja amanhã para Brasília, onde deve se reunir com a cúpula do partido e ter acesso a novas informações. "Como não sou de fugir da luta, quando o convite foi feito para eu relatar o caso, não tinha outra alternativa senão aceitar a missão."

Para o ex-deputado, qualquer opinião sua nesse momento poderá prejudicar seu relatório. "Tenho sido prudente nas declarações para não dar a entender que estou querendo infamar ou minimizar as acusações", afirmou Nonô, que nas eleições de 2006 disputou o cargo de senador por Alagoas, mas perdeu a disputa para o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL).

José Roberto Arruda é acusado de ser o chefe de um esquema de arrecadação de propina entre empresários e distribuição do dinheiro para deputados distritais, secretários e assessores. O vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octavio, também é citado como beneficiário do esquema. A investigação é conduzida pela Polícia Federal com aval do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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