Cascavel tem substância 600 vezes mais potente que morfina

Nos anos 1930, o médico Vital Brazil, fundador do Instituto Butantã, observou que pessoas picadas por cascavel não costumam sentir dor. Imaginou que a toxina podia conter alguma molécula analgésica vantajosa para a serpente - sem causar dor, ela pode passar despercebida pelo seu alvo.

Agência Estado |

Brazil estava certo, mas se passaram quase 70 anos para a ciência comprovar isso. E, agora, o achado pode se transformar em um novo medicamento, como uma substância extraída do veneno da cascavel 600 vezes mais potente que a morfina.

Equipe coordenada por Yara Cury, do mesmo Butantã (com apoio do CAT), extraiu do veneno da cascavel. O analgésico, batizado de Enpak, já foi patenteado, e uma molécula similar foi sintetizada. Esse processo é importante porque elimina a necessidade de usar o veneno para continuar os testes e torna o procedimento mais barato e viável para a indústria.

Além da potência analgésica, o produto guarda duas outras vantagens: ele apresenta ação de longa duração e não provocou dependência ou tolerância (a necessidade de aumentar a dose com o passar do tempo, como ocorre com a morfina) em testes preliminares com animais.

Os resultados atraíram a Coinfar, que encampou os testes com a droga. Após toda a fase de desenvolvimento da molécula no Butantã, o produto agora está nas mãos da indústria, passando por novas avaliações. Espera-se que, em meados de 2009, ele entre em testes pré-clínicos. De acordo com William Marandola, é a principal aposta do Coinfar.

Para Antonio Carlos Martins de Camargo, diretor do CAT, a “fórmula do sucesso” nesse caso foi a observação da natureza da cascavel. “O palpite de Vital Brazil estava certo. E, assumindo um olhar semelhante para outras coisas, podemos sempre encontrar novidades. A evolução natural é um processo de inovação constante”, afirma.

Outra pesquisa iniciada no instituto e que chamou a atenção da Coinfar é com antitumorais obtidos a partir da saliva do carrapato-estrela (Amblyoma cajenfense). Equipe liderada por Ana Marisa Chudzinski-Tavassi havia observado que in vitro substâncias presentes na saliva eram capazes de matar células tumorais, sem agredir células normais. Em camundongos, a equipe conseguiu eliminar um melanoma. Na Coinfar, as linhagens da molécula foram ampliadas e estão sendo testadas em dez tipos de tumores. As informações são do Jornal da Tarde .

AE

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