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Casal não explica vômito e sangue em depoimento sobre caso Isabella

SÃO PAULO - Em seu segundo depoimento no 9º DP (Carandiru), Alexandre Nardoni, de 29 anos, não conseguiu explicar como o vômito de sua filha Isabella, de 5 anos, foi parar na camiseta que usava no dia em que a menina foi jogada do 6º andar do Edifício London, na Vila Isolina Mazzei, zona norte de São Paulo. http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/04/25/avo_de_isabella_diz_que_casal_nao_ira_a_reconstituicao_1287707.htmlAvô de Isabella diz que casal não irá à reconstituição Arte: http://ultimosegundo.ig.com.br///multimidia//galeria_de_fotos/2008/04/22/caso_isabella_91632.html target=_topveja passo a passo o que mostram os laudos sobre a morte http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/04/20/pai_e_madrasta_de_isabella_nardoni_alegam_que_sao_inocentes_1279862.htmlEm entrevista ao Fantástico, casal se diz inocente http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/04/14/veja_a_cronologia_do_caso_isabella_nardoni_1271167.html target=_topVeja a cronologia do caso Isabella Nardoni

Agência Estado |

Da mesma forma, a madrasta, Anna Carolina Jatobá, de 24 anos, não tinha uma explicação para o sangue de Isabella encontrado em seu sapato.

Os depoimentos do casal, no dia 18, foram divulgados ontem pelo Jornal Nacional , da Rede Globo. Segundo a reportagem, o interrogatório de Alexandre, que demorou 8h39, começou num tom leve, em que ele fala sobre o comportamento de Isabella e do bom relacionamento entre eles e com Anna Carolina, sem brigas ou ciúmes. Depois, repetiu sua versão sobre o crime.

Foi quando o interrogatório tomou outro rumo. Os delegados Calixto Calil Filho e Renata da Silva Pontes apresentaram provas técnicas que indicam o envolvimento do casal no assassinato da garota. Questionado se sua camiseta se encontrava suja no dia do crime, o pai afirmou que não. Foi quando surgiu a informação sobre o vômito encontrado em sua camiseta. No depoimento, ele diz que em momento nenhum viu sua filha vomitando, ainda em vida.

O depoimento de Anna Jatobá durou 5 horas e 20 minutos e tem 13 páginas, conforme o Jornal Nacional . No interrogatório, ela se definiu como uma mulher que tem ciúmes, briga e fala palavrões, embora garanta que tenha ficado mais madura depois do nascimento dos dois filhos.

Informada sobre a constatação de sangue de Isabella sobre o pé direito de sua sapatilha, pela perícia, ela considerou isso ser impossível, pois chegou ao apartamento usando um tamanco, deixou o calçado na cozinha e saiu do apartamento descalça. Ela também negou que Isabella tenha ficado ferida em algum momento e não soube explicar nem o sangue no carro nem o vômito de Isabella na camiseta do marido.

Espaço aéreo

A Justiça acatou o pedido da Polícia Civil de São Paulo para fechar o espaço aéreo em um raio de 3 km em torno do Edifício London para que seja feita a reconstituição do crime. O delegado do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil, Luiz Antonio Pinheiro, pediu o fechamento do espaço aéreo para ver se existe a possibilidade de que vizinhos do prédio, onde Isabella Nardoni foi jogada do sexto andar, ouvissem uma possível discussão entre Alexandre e Anna Carolina.

Reprodução
Reconstituição deve ocorrer no domingo

O delegado afirmou que esse procedimento, que foi negado pela Aeronáutica, será importante para a reconstituição, marcada para domingo.

Nesta sexta (25), os bombeiros vistoriaram o prédio e os políciais realizaram o cadastro de todas as residências que se encontram ao lado do edifício. O cadastro contém os nomes dos proprietários e automóvel de cada casa. A movimentação na rua do prédio será restrita, somente será permitida a entrada dos moradores anteriormente cadastrados, de entregadores de farmácia e restaurantes.




O trânsito de automóveis será impedido em toda a extensão da rua em que fica o prédio desde as 11 horas da noite de Sábado e somente será permitido trânsito de moradores.

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá serão escoltados pela polícia desde de Guarulhos até o apartamento do casal, localizado na zona norte da capital paulista. Para conter os populares, a polícia montará bolsões de retenção, distantes no mínimo 60 metros do prédio. Para evitar a aproximação de jornalistas, a polícia usará grades de proteção.

"Delicadamente jogada"

O promotor Francisco Cembranelli, responsável pela investigação da morte da criança, afirmou na quinta-feira que ela foi "delicadamente" derrubada do 6° andar. Isso, na opinião de Cembranelli, refuta a versão apresentada pelo casal. Se fosse um monstro, como dizem os indiciados, certamente não se preocuparia e arremessaria a menina de qualquer lugar e de qualquer jeito. Ela foi jogada do quarto dos irmãos, cuidadosamente introduzida no buraco da rede de proteção e delicadamente teve as mãos soltas", afirmou.

Segundo o promotor, por conta do piso de granito, Isabella teria sofrido danos físicos ainda maiores se fosse arremessada da janela de seu quarto. Há um gramado abaixo da janela do quarto dos irmãos.

Inquérito e reconstituição

Cembranelli esteve reunido por cerca de três horas na tarde de quinta com a delegada-assistente do 9º Distrito Policial, Renata Pontes. Segundo o promotor, o encontro serviu para finalizar dados do inquérito policial, que será concluído após a reconstituição da morte da menina, marcada para domingo.

Ele voltou a dizer que provas indicam "claramente" que a cena do crime foi adulterada. "Tentou-se maquiar a versão verdadeira. Tentaram remover as manchas de sangue e até conseguiram remover algumas, mas os equipamentos de perícia modernos captaram a alteração", explicou, afirmando que essa remoção quase prejudicou a perícia.

O promotor afirmou que já vai começar a ler o inquérito policial e examinar os laudos, além de confirmar sua presença na reconstituição da morte de menina.

Cembranelli disse que "não há dúvida" de que o sangue encontrado no carro do casal Alexandre e Anna Carolina era de Isabella. "A conclusão é clara. Só não vê quem não quer".

Para ele, o prazo de 30 dias concedido por lei para a investigação policial será respeitado. Ele ainda explicou que já tem uma idéia do motivo do crime, contudo, não deu maiores esclarecimentos. "Isso será dito no momento oportuno", disse.

Operação especial

Cem policiais militares e civis , incluindo homens do Grupo de Operações Especiais (GOE), farão no domingo o policiamento no entorno da Rua Santa Leocádia, na Vila Isolina Mazzei, para a reconstituição do assassinato.

O reforço no policiamento será ainda maior caso o casal indiciado pelo crime confirme participação na reconstituição. "Vamos agir para dar o máximo de condições de trabalho aos policiais", afirma o delegado da 4ª Seccional Norte, César Camargo, que reuniu-se hoje com síndicos e subsíndicos de cinco prédios da rua para acertar detalhes operacionais da reconstituição. Os advogados de defesa do casal ainda não decidiram se Alexandre e Anna Carolina estarão presentes.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

*Com informações da Agência Estado

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