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Livia Pereira, de 17 anos, e Victor Orta, de 16 anos, namorados há um ano, resolveram sumir dos olhos vigilantes dos pais no sábado à tarde sem deixar muitas pistas. Antes, porém, para não despertar suspeitas, avisaram pelo celular que estariam a caminho do cinema em um shopping na capital paulista.

Na verdade, caíram na estrada. Para que os pais não ficassem preocupados, poucas horas depois, por volta das 21 horas, mandaram um torpedo às respectivas mães. As mensagens só aumentaram o desespero das famílias.

"Quando recebi, percebi que minha filha não tinha mais intenção de voltar para casa", diz a engenheira Consuelo Pereira, de 47 anos, mãe de Lívia. "Amo vocês. Não se culpem. Cuidem da Bel", escreveu a filha, referindo-se à irmã caçula, de 11 anos. "Não sei nem por onde começar a procurar." Ao mesmo tempo, a analista de negócios Tânia, de 42 anos, recebia a mensagem do filho Victor: "A culpa não é sua. Estou indo me encontrar."

Depois do torpedo, nenhum dos dois atendeu mais o celular. Tânia vasculhou o quarto do filho e encontrou uma lista com itens de acampamento, como barraca, saco de dormir e bússola. Bisbilhotou no computador e viu que o garoto havia pesquisado sobre o Estado do Espírito Santo.

Em seguida foi a uma loja de esportes, onde o filho havia dito que compraria um polar (medidor de batimentos cardíacos para quem corre) junto com Lívia anteontem. Os dois costumavam correr no Parque Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo. "Lá, descobri que tinham comprado barraca, vara de pescar, anzol e bússola", conta Tânia.

Consuelo percebeu então que haviam sumido de casa dois sacos de dormir - Lívia acampou com o irmão João, de 15 anos, recentemente - e duas mochilas. "Nunca proibimos o namoro, apenas achávamos que andavam muito grudentos."

Há poucos dias, preocupado com os estudos de Lívia, o pai Álvaro tentou colocar limites. "Meu filho chorou muito", diz Tânia, que só ontem à tarde, sem notícias dele, se convenceu do sumiço. As famílias registraram o desaparecimento no 14º Distrito Policial, de Pinheiros, e esperam por notícias. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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