Custo do vício daria para comprar uma geladeira duplex por ano ou uma televisão de última geração

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Em um ano, um casal de fumantes gasta quase quatro salários mínimos com cigarros - valor de uma geladeira duplex ou tevê de última geração. O impacto do fumo no orçamento doméstico foi avaliado pela Pesquisa Especial de Tabagismo (PETab), realizada em 2008, cujos dados foram analisados por técnicos do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e divulgados ontem (30), para marcar o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado anteontem (29).

"Cigarro faz mal à saúde e também ao bolso. Um casal de fumantes, com idade entre 45 e 64 anos, gasta R$ 1.543 ao ano com cigarro. Eles poderiam ter comprado uma geladeira, um computador, ter feito uma viagem", afirmou a gerente de epidemiologia do Inca, Liz de Almeida.

Em 2008, quando o salário mínimo era de R$ 415, a média anual de consumo de cigarro por duas pessoas no País era de R$ 1.495,20 (3,6 salários mínimos). Os pesquisadores compararam o preço médio do cigarro e o salário mínimo de setembro de 2008 - naquele momento, um fumante de baixa renda podia comprar 150 maços de cigarro, contra 83 em 1996 e 112 em janeiro de 2003. Para reduzir esse poder de compra é preciso aumentar a carga tributária sobre o cigarro, defendem os técnicos do Inca.

A pesquisa mostrou que o País tem 25 milhões de pessoas que usam tabaco (fumado ou mascado), 17,5% da população. "Houve redução da prevalência de 34,8% da população (em 1989) para 17,5%", disse Alfonso Tenorio-Gnecco, gerente de Prevenção e Controle de Doenças e Desenvolvimento Sustentável da Organização Pan-Americana da Saúde.

A análise dos dados revelou que 10,4% dos fumantes são jovens de 15 a 24 anos. Desses, 21,5% têm dependência severa. Os jovens também perceberam maior publicidade indireta de cigarro em pontos de venda e eventos esportivos.

Dinheiro sobrando

A auxiliar de serviços gerais Tânia Marques separava R$ 250 do salário para o fumo. Em 2008, fez tratamento de reposição de nicotina. "Mas eu fiz de conta que ainda fumava e guardava aquele dinheiro. No fim do mês, comprava um presente." Em três anos, ela adquiriu geladeira e tevê novas e comprou joias. "Eu nunca tinha tido nada de ouro. Não sobrava."

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