Casa precisa estar preparada para receber o bebê

Casa precisa estar preparada para receber o bebê Por Eleni Trindade São Paulo, 11 (AE) - Quem tem criança pequena em casa sabe: qualquer descuido pode se transformar em machucados e hematomas. Bebês não param de se mexer e gostam de conhecer tudo que está em volta.

Agência Estado |

É importante que a residência esteja preparada para que esse novo morador possa transitar pela casa sem causar danos a si mesmo e ao ambiente.

Esses cuidados são necessários porque a maioria das quedas e ferimentos ocorrem dentro de casa e, segundo, a ONG Criança Segura, 90% deles podem ser prevenidos. E nem é preciso tornar a casa um espaço exclusivo para o bebê. Bastam apenas algumas adaptações.

"Hoje em dia, a arquitetura tem linhas mais simples e móveis com linhas limpas sem muito detalhes, assim, fica muito mais fácil fazer uma decoração bonita, mas que, ao mesmo tempo, funciona como uma espécie de barreira para bebês", diz a arquiteta Ana Lúcia Salama. Um exemplo disso, cita a profissional, são armários e racks com portas sem puxadores que ficam totalmente fechados, impedindo que as crianças abrem com facilidade. "É possível fazer as portas de madeira ou vidro, o que deixa o ambiente mais organizado", completa ela.

A disposição dos móveis também deve ser observada para evitar que as crianças subam neles e os usem como trampolim para acessar janelas ou estantes, mas, na opinião de Miriam Castanho, professora do curso de Arquitetura da Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo, e mãe de gêmeos de um ano meio, a casa não pode ser totalmente modificada em função deles. "Não acredito em uma casa feita para a criança, mas apenas adaptações sem prejudicar a rotina dos demais moradores", diz ela.

Nos primeiros meses de vida da criança, móveis com cantos vivos podem ser protegidos com protetores de mesa, e tomadas a baixa altura devem ser cobertas com protetores específicos para prevenir acidentes, assim como tapetes sobre pisos lisos podem receber adesivos emborrachados na parte de baixo para evitar escorregões. "São pequenas medidas que funcionam sem precisar alterar partes estruturais da casa, pois, com o tempo, a criança vai se adaptando aos locais e objetos e deve ser educada para não mexer em determinados itens", diz a professora.

As escadas dentro de casa merecem atenção especial. Se tiverem guarda corpo vazado ou grades com espaços muito largos, devem receber redes de proteção. No alto da escada também é recomendado colocar grades para o caso de a criança acordar durante a noite e começar a andar pela residência no escuro correndo o risco de cair.

Nas janelas as telas de proteção são fundamentais. É o que ressalta Carla Vichy, arquiteta e mãe de um menino de 9 meses. "Falo por experiência própria: eu estava sentada na cama muito próxima do meu filho e olhando para ele com toda a atenção, mas em questão de segundos ele rolou rápido e caiu da cama. Não foi nada grave, mas se me contassem eu não acreditaria", comenta. "Eles são rápidos e imprevisíveis, por isso as telas são importantes para prevenir algo mais grave."

BOXE

Um espaço só para a criança

Para não ter de alterar tanto a decoração da casa, o ideal, segundo as arquitetas, é criar um espaço exclusivo para as crianças brincarem à vontade.

Se a casa é repleta de objetos decorativos delicados, eles devem ser guardados em locais de difícil acesso para evitar prejuízos. "Não é necessário transformar toda a casa em espaço para crianças. É preciso ter um ambiente na residência com condições mais apropriadas para ela, como o seu quarto ou a sala de brinquedos, devidamente dimensionados às suas necessidades", ressalta a professora de arquitetura Miriam Castanho.

No espaço da criança é recomendado usar piso vinílico, que é de fácil manutenção e limpeza com pano úmido e não acumula ácaros, dar preferência a móveis com escala reduzida e com cantos arredondados, sem tapetes para evitar poeira.

"O importante", acredita a arquiteta Carla Vichy, "é que a criança tenha um local em que possa mexer nos objetos, sentar e se movimentar à vontade, espalhar os brinquedos". Com a orientação dos pais, aos poucos, ela vai perceber que em determinados locais não pode mexer e em outros tem livre acesso. "É uma questão de bom senso." (E.T./AE)

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