Casa noturna pode ser responsabilizada por morte no RS

Advogado explica que empresas que contratam serviços terceirizados também são responsáveis pelas ações dos profissionais

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

No último domingo, 6, Wagner Boeira Cardoso, de 26 anos, foi morto na saída da casa noturna Roseplace , em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O suspeito pelo crime é Thiago de Lima Vieira, policial militar que fazia a segurança do local, e foi preso. Outro suspeito de envolvimento no caso chegou a ser preso, mas conseguiu na Justiça a liberdade provisória.

Marcelo Beck, advogado do estabelecimento, conversou com o Portal iG e disse que o serviço de segurança da casa é terceirizado e que a boate não se envolve na escolha dos profissionais. “A casa não sabe como eles são escolhidos ou treinados. Na hora de contratar o serviço só pede que eles sempre zelem pela integridade física dos clientes”, afirma.

Segundo ele, os controlers – como são chamados os seguranças – conduziram Wagner e o amigo Ricardo Paz Gross, de 28 anos, a saída após eles terem se envolvido em uma discussão com outros jovens na fila de pagamento. “A partir daí, não sabemos o que aconteceu. A morte dele foi há duas quadras, quase 200 metros da Roseplace”, diz, e acrescenta que a casa possui uma porta com detectores de metais, o que impediria que os seguranças trabalhassem armados.

Ele afirma também que a boate entregou a gravação das câmeras de segurança à polícia e está “a disposição da Justiça para ajudar a esclarecer o fato”. “Mas não tem responsabilidade pela ação de terceiros”, diz.

No entanto, o advogado especialista em Direito Civil Vladimir Nóbrega de Almeida, explica que as empresas que contratam serviços terceirizados também têm responsabilidade sobre eles. “Tem que ter controle, não pode contratar um cangaceiro para cuidar de uma discoteca. Tem que saber o que acontece no dia-a-dia e quem são esses profissionais”, afirma. “É responsabilidade direta”.

Segundo ele, a família de Wagner, caso deseje, pode entrar com uma ação indenizatória contra a casa noturna, a empresa terceirizada responsável pela segurança e o próprio policial suspeito de ter baleado o jovem. “Depois, a boate pode cobrar da empresa uma eventual restituição da empresa se achar necessário, mas tem culpa, sim", explica.

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