Cartas a Ana Bolena mostram lado mais apaixonado de Henrique VIII

Pedro Alonso. Londres, 14 fev (EFE).- Famoso por ter sido casado seis vezes e por tratar as esposas com uma crueldade sanguinária, o rei Henrique VIII da Inglaterra também tinha seu lado romântico, segundo uma inusitada e apaixonada carta de amor escrita à segunda mulher, Ana Bolena.

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A carta, cuidadosamente guardada no Vaticano por quase cinco séculos, voltará em abril ao Reino Unido e será exibida pela primeira vez ao público em uma exposição da Biblioteca Britânica, em Londres, intitulada "Henrique VIII: Homem e Monarca".

Mulherengo, teimoso e cruel, o rei, segundo representante da Casa Tudor, ficou obcecado pela bela e elegante Ana Bolena, marquesa de Pembroke e dama da aristocracia inglesa.

O monarca ficou tão apaixonado por Ana que anulou o casamento com a primeira esposa, Catarina de Aragão, filha dos Reis Católicos Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela. O ato foi rejeitado pela Igreja Católica e deu origem ao anglicanismo.

Ciente da reputação do monarca, a jovem dama não queria ser uma simples amante, e negou-se a manter relações sexuais com o rei até que ele a levasse ao altar.

Embora pudesse ter recorrido à força para satisfazer seus desejos, o monarca escolheu o papel e a pluma e declarou seu amor em várias cartas, entre elas uma que será exibida pela biblioteca londina.

Na carta, escrita em francês - Ana havia sido educada na corte da França - em janeiro de 1528, Henrique VIII expressa sua "intenção inalterável" de se casar com a dama, e promete "rezar uma vez por dia" para atingir esse objetivo.

"As demonstrações de seu afeto são tamanhas e as belas palavras de sua carta estão escritas com tanta cordialidade que realmente me obrigam a honrar-lhe, amar-lhe e servir-lhe para sempre".

"Por conseguinte, asseguro que meu coração estará dedicado somente a você", destaca o monarca, que escreve a nota com "a mão do secretário que, em coração, corpo e vontade, é seu servente mais leal e confiante".

Com a inocência de um adolescente perdidamente apaixonado, Henrique VIII assina a carta, supostamente roubada então por um espião do Vaticano, com a frase "H corteja A.B. Nenhum outro rei", junto às iniciais da amada fechadas em um coração.

Para David Starkey, historiador e curador da exposição, que ficará em cartaz entre 23 de abril e 6 de setembro, a carta, "mais do que qualquer outra coisa", lança luz sobre um pedaço "da mente do rei".

O especialista afirma que "Henrique não é só o rei mais conhecido da Inglaterra, por suas esposas, sua silhueta e sua personalidade sanguinária".

"É um de nossos soberanos mais importantes", pois "criou uma igreja nacional e uma política insulana e xenofóbica que determinou o desenvolvimento da Inglaterra pelos próximos 500 anos", acrescentou.

Os devaneios epistolares do monarca deram frutos e ele acabou se casando com Ana Bolena em 25 de janeiro de 1533, apesar de a chama do amor ter se apagado após três anos de convivência.

Apesar do nascimento da princesa Elizabeth -futura rainha Elizabeth I -, a relação entre o rei e a esposa esfriou porque ela foi incapaz de dar a ele um filho homem. Além disso, os súditos não gostavam da antiga marquesa de Pembroke, que era considerada a "meretriz do rei".

Falsamente acusada de traição, adultério e incesto, a dama que enlouqueceu Henrique VIII foi decapitada em maio de 1536 na Torre de Londres.

Antes de sua cabeça rodar pelo cadafalso, Ana Bolena ainda teve ânimo para brincar com o carrasco: "Não darei muito trabalho, tenho o pescoço muito fino". EFE pa/db

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