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Carta aberta: vivo um luto diário, mas sei que devo continuar de cabeça erguida

Eliane Mello, a Lili, é viúva de Andrei François Mello, executivo de 42 anos que morreu no acidente com o vôo JJ3054. Desde a tragédia, ela reúne forças para lutar pela construção de um memorial em homenagem às vítimas.

Redação |

O que posso dizer além da minha saudade e dor, que sei, serão eternas. Vivo um luto diário, mas sei que devo continuar de cabeça erguida apesar de tudo, pois meu marido não gostaria que eu desistisse da vida.

A minha revolta inicialmente era de não tê-lo mais ao meu lado. Hoje essa revolta se transformou. Ela é política, pois sei que a morte dele poderia ter sido evitada. Todos nós sabemos que as 199 pessoas que estavam naquele avião morreram devido à total falta de pessoas capacitadas técnica e administrativamente, com comprometimento para com os brasileiros.

Faltou competência, seriedade, profissionais realmente preparados para ocupar cargos tão importantes que envolvem a segurança da vida humana.

Pergunto-me o que foi feito até hoje para que não aconteça com mais nenhuma família deste país o que aconteceu com as 199?

Não ouço falar em construção de uma pista de escape em Congonhas, não temos notícias do Sr. Nelson Jobim, Denise Abreu, que não comparece para depor, e os documentos solicitados ao Cenipa, Infraero entre outros... e os 23 minutos da caixa preta? O que fizeram? Eu como esposa tenho o direito de ouvir estes 23 minutos, que o governo diz não serem relevantes para apuração do inquérito. Não é relevante? Então por que não entregam para o delegado que investiga o caso?

Ficaria o dia inteiro aqui falando sobre tudo que aconteceu desde o dia em que vi meu marido ser cremado ao vivo, em rede nacional, com o assessor do presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, se vangloriando, fazendo gestos obscenos, enquanto meu marido era cremado dentro de um avião pegando fogo.

Recebi quatro meses depois uma carta do Senado Federal se solidarizando com minha dor, e uma penca de assinaturas de deputados, senadores que nunca me procuraram para saber se eu precisava de ajuda.

Três dias depois nosso presidente aparece para pedir desculpas. Depois de pedir dia, data e hora para acabar o caos aéreo. O dia e a hora eu informo: 17 de Julho de 2007, às 18h48min. Meu marido não foi identificado, eu convidei o Lula pra colocar a faixa presidencial sobre o túmulo do meu marido, mas não precisou da faixa, pois nada restou...

Estive em Nova Iorque para saber como os americanos estão envolvidos com a construção do memorial. Desde o dia da tragédia, todos os familiares tiveram total apoio do governo, a Laura Busch se reuniu com as mulheres e designou todos os esforços para dar assistência. No local do acidente há uma enorme bandeira americana para lembrar aos americanos que a pátria deve ser protegida. Aqui no Brasil tive que pedir por favor para que a bandeira do Brasil fosse asteada no terreno onde aconteceu a maior tragédia da aviação na América Latina. Esta bandeira será colocada no terreno dia 17, após um ano da tragédia.

O memorial está em andamento, também luto para que seja construído um memorial à altura de todos os heróis que morreram naquele local. O memorial deve lembrar que a vida é o nosso maior bem. O Ruy Ohtake está fazendo o projeto que deverá ser apresentado aos familiares na próxima semana e, depois, apresentaremos à prefeitura. Temos um longo caminho, mas a minha certeza é de que aquele local é sagrado e deve ser para todos os brasileiros. O memorial deve ser um tributo a vida e um lugar alegre, interativo onde as pessoas que por ali passarem se sintam bem. É assim que a vida deve ser tratada: para o bem!

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