Dois investigadores do Departamento Estadual de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) apanharam um traficante de drogas e sua mulher e os mantiveram em cativeiro em um carro da polícia com 1 quilo de cocaína. Ameaçavam prender a companheira do criminoso, se ele não entregasse R$ 5 mil.

Antes que o negócio fosse fechado, a Corregedoria da Polícia Civil surpreendeu o grupo e prendeu o traficante e os policiais.

A prisão de anteontem ocorreu às 22h30. Ela faz parte da nova fase da Corregedoria, iniciada em março, quando o órgão ganhou independência e passou a ser mais procurada por vítimas da chamada banda podre da polícia. Todo dia chegam denúncias à Divisão de Operações Policiais (DOP) sobre ação de supostos policiais corruptos. Para atendê-las, a DOP montou o que chama de Operação Relâmpago - o despacho imediato de uma equipe para tentar prender em flagrante policiais corruptos.
Exemplo disso teria sido o que ocorreu no começo da noite de anteontem, quando a DOP recebeu um telefonema anônimo. Uma pessoa dizia que duas pessoas eram mantidas reféns dentro de um carro do Deic, na Avenida Roland Garros, no Jaçanã, zona norte da capital paulista.

A equipe do delegado Eduardo Henrique de Carvalho Filho, da DOP, foi verificar o que estava acontecendo e surpreendeu o investigador Ivahir Donizete de Paula e o agente policial Marcelo Rosa Pinto com as duas supostas vítimas do achaque - Caio Gomes de Almeida e sua mulher Karla - dentro de um Palio Weekend. O carro era uma viatura descaracterizada do Deic.

Com eles estava uma advogada e 1 quilo de cocaína embalada. Almeida confirmou aos corregedores que os policiais queriam R$ 5 mil para soltar a mulher. Ele contou que havia sido pego há duas quadras dali e obrigado a telefonar para a família.

Negativa

Os homens do Deic negaram o crime. Disseram que estavam ali com o casal esperando o suposto comprador da droga, para também prendê-lo. Não explicaram, porém, por que não levaram o entorpecente para o Deic e a razão de a advogada dos acusados estar ali com o casal.

O delegado corregedor determinou a prisão em flagrante dos policiais do Deic - eles trabalhavam especificamente na Delegacia de Roubo de Joias. Almeida, que os acusou, foi também preso, sob a acusação de tráfico de drogas. Sua mulher foi ouvida como testemunha. O carro do Deic acabou apreendido. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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