Ultima escola a entrar na avenida para desfilar no grupo especial do carnaval paulistano, a Pérola Negra inicia sua apresentação no sambódromo do Anhembi empolgada. A expectativa é a melhor possível, diz o presidente da agremiação, Dilson Casal, o Nego.

O enredo "Vamos Tirar o Brasil da Gaveta" é uma homenagem à cultura brasileira e a um de seus mais populares representantes, o apresentador da TV Cultura Rolando Boldrin.

Homenageado no último carro, Boldrin afirma que ficou honrado com a lembrança. "É uma sensação ótima", diz. O apresentador conta que gosta muito da festa, embora não tenha costume de assistir aos desfiles. É a primeira vez que ele participa do carnaval de São Paulo.

O enredo leva o mesmo nome de um quadro do programa "Senhor Brasil", apresentado por Boldrin. Aos 73 anos, o contador de "causos" e ferrenho defensor da cultura popular vai encerrar o desfile da escola em um carro alegórico, ao lado da esposa, de parentes e amigos. Pintado com as cores da bandeira do Brasil, o carro de seis metros de altura traz uma grande escultura de Boldrin.

Na avenida, os cerca de 3.500 integrantes da escola estarão divididos em 24 alas e cinco carros alegóricos. E à frente da bateria estará Paulinha Abelha, vocalista da banda Calcinha Preta. Sobre o fato de ser a última escola a desfilar, o presidente evitou definir isso como uma vantagem. "Só dá para saber depois da apresentação", afirma o presidente da escola.

Segue a letra do samba-enredo da Pérola Negra:

O céu clareou, a Vila chegou,
Pérola Negra me abraçou
Ah, sou brasileiro com orgulho e muito amor
Abro a gaveta pra mostrar o meu valor

O sabiá cantou na aurora, trilha sonora
Neste cenário, sou canário cantador
Doce regato, cheiro de mato
Brasileira essência do interior
E assim eu vou, bordando a história desse meu país
Em cada canto uma raiz
Tantos "causos" pra contar
Parti com a esperança de um sonhador
Meu caminhar meu pai abençoou... Fé! Estrela guia
Cidade grande fez valer meu dia a dia

O toque da viola transborda emoção
Puxa o fole sanfoneiro, levanta a poeira do chão
Malandro sambista, no palco de artistas
Retrato em meu gigante coração

Linda colcha de retalhos colorida
Joia rara é a cultura nacional
De um povo festeiro, de sangue guerreiro e original
Bandeira a tremular, mareja meu olhar
Repleto de paixão sou filho desse chão
Sentimento popular, salve a seleção
No morro, no asfalto ou na favela
São cenas da minha vida nessa tela
Bom dia Brasil, é carnaval
Rolando num domingo especial.

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