Visivelmente encantada com a performance da Acadêmicos do Tucuruvi no sambódromo de São Paulo, a modelo somali Waris Dirie resumiu em uma frase o desfile da escola: Isso é perfeito. Mais do que eu esperava.

Inicialmente resistente à imprensa, com direito a respostas enviesadas diante das investidas dos repórteres, a modelo que é madrinha do camarote Bar Brahma este ano cedeu aos poucos aos pedidos de entrevista. Perguntada sobre o que mais gostou no carnaval paulista, Waris disse que ficou admirada com a "união das pessoas na avenida". "Isso tudo me pareceu fabuloso", reiterou.

A modelo, que é embaixadora da ONU no combate à mutilação genital, luta contra a circuncisão feminina há 12 anos, desde a criação da Fundação Waris Dirie, que arrecada fundos para coibir a prática na Somália e ao redor do mundo. Em sua primeira visita ao Brasil, a somali espera angariar fundos para combater esse tipo de violência contra a mulher. Apenas o camarote Bar Brahma doou 10 mil euros para a instituição. Waris não quis informar se nos últimos dias se encontrou com políticos ou personalidades brasileiras para difundir a causa. "Não quero falar sobre negócios agora. Mas arrecadei mais do que esperava", disse.

Indagada se a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, levará o mundo a olhar com mais atenção para o continente africano, a modelo respondeu: "Futebol é um negócio que gera dinheiro para si próprio. A verba arrecadada dificilmente é revertida em ações para o combate à fome ou à pobreza. Além do mais, o mundo conhecerá uma África que foi embelezada, e não o verdadeiro continente", criticou. A modelo, entretanto, confirmou a sua presença no evento. "Vou para reforçar a minha causa", justificou.

Waris informou ainda que passou o seu tempo livre no Brasil ao lado do seu filho Leon, de nove meses. "Brinquei bastante com ele." A modelo disse que deixará o São Paulo no próximo domingo, mas não informou para onde viajará. Apenas deixou uma pista: "vou atrás de praias".

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