Carnaval 2010: Mancha Verde conta história do ensino

A Mancha Verde vai comemorar sua primeira década na avenida contando a história do ensino. A ideia do enredo Aos mestres com carinho, Mancha Verde ensina como criar identidade veio com naturalidade para o carnavalesco Cláudio Cavalcante, mais conhecido como Cebola.

Agência Estado |

Pelo terceiro ano à frente da escola, ele promete falar dos mestres de uma maneira universal, mas também pretende homenagear os baluartes que ajudaram a Mancha a criar sua identidade nesses 10 anos. A escola entrará na avenida com cinco carros alegóricos e 3,5 mil componentes, divididos entre 23 alas.

Cebola tem duas principais apostas para o desfile: tecnologia e encenação. O abre-alas resgata a história do ensino na Grécia Antiga, com Platão e Sócrates. Diversas formas de ensino serão apresentadas, como o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), o método de Paulo Freire, a Companhia de Jesus e sua importância na História, a formação para o Magistério no Brasil, o ensino à distância e até a disciplina para o aprendizado das artes marciais. Cebola adianta que os integrantes da bateria estarão fantasiados de Confúcio, representando a educação chinesa. Difícil será transformar a modelo Viviane Araújo, rainha de bateria, em uma gueixa.

Um tema tão relevante não poderia deixar de ter um enfoque político. A ferramenta para a crítica será o estudante e seu papel na sociedade, como no processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. Outro momento emocionante deve ser a entrada do carro que vai remeter à ditadura militar de 1964. Atores vão fazer da avenida um teatro para representar um confronto entre policiais e estudantes. Para tratar da importância da tecnologia na educação, Cebola vai usar dois telões de alta definição, de 4 metros de altura por 9 metros de comprimento, e um computador gigante conectado à internet.

No último carro, a homenagem ficará para os ensinamentos transmitidos pelos mestres baluartes do carnaval paulistano, como Eduardo Basílio, da Rosas de Ouro, Dona Norma e Seu Nenê. "Eles foram fundamentais na história da Mancha e nos ensinaram a criar nossa identidade", explica Cebola.

A Mancha Verde será a quarta escola a entrar na avenida no primeiro dia de desfiles, por volta das 2h30. A Mancha está no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo desde 2005 e foi campeã entre escolas de samba desportivas em 2006 e 2007. No ano passado, falou sobre Pernambuco e ficou em décimo lugar na classificação geral. Este ano, a agremiação investiu R$ 1,7 milhão no desfile.

Segue a letra do samba-enredo da Mancha Verde:

É mais do que educação (Mancha)
Guerreira, traduz o ensino em emoção
Transforma a história em fantasia
Representando a arte que inspira
A contemplar... Na Grécia a fonte do saber
Traçando assim a identidade, para o meu viver
Seguindo os caminhos da vida busquei
Na China, o segredo da alma encontrei

A mente e o corpo a equilibrar
Sagrada cultura milenar
Vi caravelas cruzando, mares continentes
Trazendo ao dono desta terra, a devoção

Pajé, pajé
Na beira da mata dançou...Ôôô
A sua cultura ensinou, encantou
A força da fé, para catequizar
O jesuíta trouxe de além mar

Numa folha qualquer
Escreve a arte que me faz sonhar
Mesmo perseguido, oprimido
Não se deixou calar!
Em meu Brasil, gigante menino, trilhou seu destino
Se renovando com a era digital
Aplausos aos mestres do samba
Docentes da escola de bambas
Me fez assim, orgulho do País
Estrela-mãe que me guia, "norma" da sabedoria
Sou eterno aprendiz... Puro balanço, samba de raiz

Eu bato no peito
Sou Mancha Verde até morrer
Aos mestres com carinho, vou cantar
Em Verde e Branco, eternizar

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