LOS ANGELES ¿ Por baixo do chapéu de frutas mais famoso da história do cinema se escondia uma pequena mulher muito mais frágil do que suas canções e apresentações refletiam: Carmen Miranda, a brasileira mais universal de todas, que nasceu em Portugal, há exatamente 100 anos.

Uma mulher que se casou com o único homem que lhe pediu em casamento, que lutou contra sua família para chegar a ser artista e que sofreu de uma terrível dependência de medicamentos, obscuras facetas da personalidade de quem, apesar de morrer com apenas 46 anos, chegou a ser a estrela mais bem paga de Hollywood.

Com apenas 1,52 metro de estatura e sobre um salto de 20 centímetros, Carmen Miranda conquistou Hollywood desde o momento em que atracou no porto de Nova York.

Com um punhado de palavras mal pronunciadas em inglês, ganhou a simpatia de maneira instantânea do público americano, como destaca um dos documentários mais importantes sobre sua vida: "Carmen Miranda: Bananas Is My Business", de 1995, dirigido por Helena Solberg.

As palavras mal pronunciadas de Maria do Carmo Miranda da Cunha ao chegar, aos 30 anos, em Nova York, marcaram seu destino nos Estados Unidos.

Os americanos gostaram tanto de seu jeito de falar que Carmen nunca pôde mostrar seus progressos no inglês e teve de manter em público um terrível e cômico acento que a marcou tanto como os saltos, os chapéus, as frutas e as roupas que deixavam sua barriga à mostra.

Sua personagem popularizou o samba, um ritmo novo que ela introduziu nos Estados Unidos apesar de seu gosto pelo tango, primeiro ritmo que interpretou no início de sua carreira no Brasil.

Desde muito jovem queria ser artista, apesar da oposição de sua família, e começou a cantar em festas enquanto trabalhava em uma chapelaria, quando começou a desenhar chapéus com uma enorme imaginação.

O início de seu sucesso como cantora chegou em 1930, depois que gravou a marcha "Pra Você Gostar de Mim". Menos de 10 anos depois, ela desembarcou nos Estados Unidos.

Carmen participou com enorme sucesso de vários musicais da Broadway - onde recebeu o apelido de "a bomba brasileira" - e depois se consagrou em Hollywood, onde participaria de 14 filmes entre 1940 e 1953.

A "Pequena Notável" se transformou em uma grande estrela internacional, e em 1945 tinha o melhor salário de Hollywood, acima de nomes como Cary Grant e Humphrey Bogart.

Como cantora, vendeu mais de 10 milhões de discos no mundo todo, e emplacou sucessos atemporais como "Mamãe Eu Quero" e "Tico-Tico No Fubá".

O sucesso a levou a um ritmo de trabalho infernal, com até três espetáculos diários, combinados com rodagens de filmes e reuniões, o que só conseguia suportar com grandes quantidades de anfetaminas, em uma época na qual seu consumo em Hollywood era bastante generalizado e muito pouco ou nada criticado.

E para congestionar ainda mais sua concorrida agenda, foi nomeada embaixadora da política de boa vizinhança em direção à América Latina impulsionada pelo presidente Franklin D. Roosevelt.

Uma ocupadíssima e bem-sucedida vida profissional muito distante do fracasso da pessoal. Carmen passou por várias relações, um aborto (acidental ou provocado, segundo as versões) e um matrimônio com o produtor David Sebastian pela simples razão de que foi o único homem que lhe pedir em casamento.

Carmen Miranda realizou sua última aparição pública no programa televisivo de Jimmy Durante, em 4 de agosto de 1955, no qual, muito deteriorada fisicamente, ainda foi capaz, embora a tropeções, de fazer uma de suas típicas apresentações.

Morreu poucas horas depois de infarto, em seu quarto, enquanto um grupo de amigos participava de uma festa no primeiro andar de sua mansão. Ela tinha apenas 46 anos.

(Reportagem de Alicia García de Francisco)

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