Carlinhos Brown incentiva à música negra em Salvador

SALVADOR ¿ O cantor, percussionista, compositor e produtor musical Carlinhos Brown é uma espécie de padrinho de jovens talentos em Salvador, onde deseja fazer da sua arte um sinônimo de desenvolvimento e da luta contra a pobreza.

EFE |

"Não se pode fazer música de estômago vazio. Quero usar a música como ferramenta para vencer algo muito perigoso, o segundo analfabetismo", disse o artista para explicar por que promove escolas de música no Candeal, a favela na qual nasceu, e por que está investindo grandes quantias para manter o Museu du Ritmo, a joia de seu projeto cultural.

Idealizado em 2007 como um "espaço aberto" para a cultura e as artes, o museu faz parte de um projeto mais amplo para recuperar a degradada região portuária da capital baiana.

Em um futuro próximo, Carlinhos espera conseguir os R$ 3 milhões (US$ 1,75 milhão) necessários para comprar o prédio que ocupa as dependências de um antigo mercado de cereais, especiarias e ervas, construído em 1897.

Atualmente alugado, o prédio de 7,5 mil metros quadrados e de planta trapezoidal conserva a estrutura da época, altos pórticos, grades trabalhadas, postes de luz arcaicos em vidro e metal e numerosas salas escuras que circundam um amplo e luminoso pátio interno.

As paredes centenárias receberam cores vivas, tons intensos que se misturam em polígonos sobrepostos. Os investimentos trouxeram vida nova ao museu, cujo projeto prevê transformá-lo no principal centro cultural de Salvador.

Nestes últimos dois anos, o Museu du Ritmo recebeu peças de teatro, desfiles de moda, exposições de artes plásticas, além de abrigar uma escola de música com 200 alunos e ter se transformado no cenário de diversos festivais de música, com enfoque especial nas raízes africanas.

No início de novembro, o centro recebeu o Festival Músicas Mestiças Salvador que reuniu importantes artistas africanos como o cantor de reggae da Costa do Marfim Tiken Jah Fakoly, os percussionistas congoleses Les Tambours de Brazza e a jovem o cantora Mounira Mitchala, uma das melhores surpresas do evento.

Outra recente conquista é o Centro de Músicas Negras, um museu audiovisual dedicado à criação das etnias negras, que abrange desde os ritmos dos rituais sagrados africanos, os clubes de jazz de Nova Orleans até as últimas tendências do hip-hop.

Carlinhos explica que, por meio destas iniciativas, está "pedindo perdão" pelas feridas ainda abertas por mais de três séculos de escravidão.

O artista afirmou que a Bahia recebeu o "presente" de ter a "responsabilidade de zelar pelos segredos da África" e de "devolver ao mundo" todo esse conhecimento e essa cultura.

Para o ano próximo ano, Carlinhos pretende expandir o centro cultural com a abertura de dois estúdios de gravação de música ao vivo, os primeiros deste tipo em Salvador, que se somam aos outros cinco estúdios já inaugurados na cidade.

Muitos músicos baianos comemoram a iniciativa porque os estúdios devem facilitar o acesso à indústria da música, cujos custos ainda são elevados na região, com preços que variam de US$ 10 mil a US$ 30 mil por um disco de estúdio.

Com os projetos, Carlinhos se orgulha de ter dado emprego para 20 mil moradores do Candeal e outros bairros pobres de Salvador, muitos deles, empregados diretamente na produção musical.

Mas nem tudo são elogios. Existem reclamações de alguns artistas por não terem recebido resposta sobre projetos apresentados a Carlinhos e também de moradores do Candeal, pelo barulho de uma escola de música na favela que acabou sendo fechada.

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