Carli Filho volta a dizer que não se lembra de acidente

Ex-deputado prestou rápido depoimento na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba e confirmou que bebeu na noite do acidente

iG São Paulo |

O ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho, de 26 anos, prestou depoimento por cerca de 50 minutos, nesta terça-feira, em audiência com o juiz Daniel Ribeiro Surdi de Avelar, na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba. Carli Filho voltou a alegar que não lembra dos fatos que ocorreram na noite do acidente que resultou na morte de Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, 20, há um ano e três meses. Confirmou apenas ter tomado vinho à noite.

O ex-deputado, que renunciou logo após o acidente, chegou praticamente incógnito, acompanhado pelo advogado, entrando por uma porta lateral. Mas, na saída do prédio do Tribunal do Júri, foi bastante hostilizado por um pequeno grupo de manifestantes. Aos gritos de "justiça" e "assassino", ele saiu escoltado por policiais militares e entrou rapidamente em um carro que acabou chutado. Ele foi denunciado pelo Ministério Público por duplo homicídio qualificado.

Agência Estado
Carli Filho ao chegar para depor nesta terça-feira
De acordo com o advogado de defesa, Roberto Brzezinski Neto, o ex-deputado disse que, "em vista da proporção desse acidente, e os médicos já disseram isso, ele não se lembrava do que aconteceu". "Ele admitiu, como todas as pessoas em uma refeição, que consumiu bebida alcoólica", afirmou o advogado.

O exame de dosagem alcoólica foi descartado pelo juiz, por não ter havido consentimento, mas o Ministério Público recorreu. Brzezinski Neto disse que a defesa pretende apresentar "oportunamente" novos laudos sobre a velocidade. Ele adiantou que uma das teses a serem defendidas é que a preferência na via era de Carli Filho. "Isso tem que começar a esclarecer", acentuou.

Para o advogado da família Yared, Elias Mattar Assad, a tese de via preferencial foi levantada apenas porque à defesa "falta melhor argumentação". "Tudo leva a crer que o processo caminha em marcha inexorável ao júri popular", afirmou. O advogado da família Almeida, Juarez Küster, ressaltou que duas testemunhas são "absolutas, foram visuais". Uma estaria em um veículo que vinha logo atrás e outra estaria em uma casa. Para ele, a confissão feita pelo ex-deputado de que bebeu vinho e "não lembra nada dali para diante" é "prova suficiente" para comprovar a embriaguez, substituindo o laudo retirado do processo pelo juiz.

Carli Filho sustentou também que o carro era usado por vários assessores e ele nunca foi notificado para fazer a devolução da carteira de habilitação. O juiz pretende ouvir ainda duas testemunhas de defesa por carta precatória e concederá os cinco dias protocolares para que acusação, assistência de acusação e defesa se pronunciem por escrito, antes de decidir se remete o caso para júri popular ou se ele será analisado por juiz singular.

Esta foi a primeira vez que Carli Filho compareceu diante de um juiz desde que o processo contra ele começou a tramitar. A primeira audiência para decidir se Carli Filho iria a júri popular foi realizada no último dia 5 de fevereiro sem a presença do ex-parlamentar. Não houve definição sobre o caso.

De acordo com laudo do Instituto de Criminalística, Carli Filho estava a uma velocidade entre 161 km/h e 173 km/h. Também estava com a carteira de habilitação suspensa, com mais de 130 pontos.

O caso

AE
Familiares de jovens mortos em acidente protestam em Curitiba
Na madrugada do dia 7 de maio de 2009, o Volkswagen Passat que o ex-deputado dirigia chocou-se contra o Honda Fit onde estavam Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos, na rua Monsenhor Ivo Zanlorenzi, no bairro de Mossunguê, em Curitiba. O veículo ficou completamente destruído e os dois jovens morreram na hora.

O deputado sofreu múltiplas fraturas, inclusive na face. Ele ficou um mês internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para se recuperar das lesões.

O laudo do IML, realizado duas horas após o acidente, apontou que o Carli Filho estava com 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue, quando o tolerado pela legislação brasileira é de 2 decigramas.

Um recibo fornecido à polícia pelo restaurante onde o parlamentar estava na noite da colisão mostra três tipos de vinho na conta dele, que ficou em R$ 705.

Além disso, ele também não poderia dirigir porque estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por excesso de multas. Para a polícia, Carli Filho assumiu o risco de matar ao dirigir embriagado. Ao que tudo indica houve dolo eventual, disse o delegado de Delitos de Trânsito de Curitiba, Armando Braga, durante a reconstituição do acidente.

Laudos do Instituto de Criminalística apontaram que o carro conduzido por Carli Filho estava em uma velocidade entre 161 km/h e 173 km/h, sendo que no local onde houve a colisão a velocidade máxima permitida e de 60 km/h.

A defesa do deputado, porém, se mostrou confiante e disse que os depoimentos não trouxeram nenhuma novidade aos autos. Segundo o advogado Brzezinski Neto, já ocorreram algumas vitórias, como a desconsideração, pelo juiz, do laudo de dosagem alcoólica. "A prova é ilícita porque foi colhida e obtida na clandestinidade", afirmou ele, que preferiu não comentar a possibilidade de o caso ir para júri popular. "O caso está no começo, tem várias peculiaridades e, no final, a tese principal da defesa será abordada", disse.

*Com informações da Agência Estado

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