Carioca teme mais bala perdida que assalto e sequestro--pesquisa

Por Hugo Bachega RIO DE JANEIRO (Reuters) - O receio de ser atingido por bala perdida no Rio de Janeiro superou temores mais comuns de moradores de grandes cidades, como assalto, sequestro ou ação do tráfico de drogas, apontou uma pesquisa divulgada por uma organização não governamental (ONG) nesta quarta-feira.

Reuters |

Um estudo da ONG Rio Como Vamos revelou que de 1.358 entrevistados, 36 por cento apontaram como preocupação maior o risco de ser baleado mesmo sem estar envolvido em uma situação de tiroteio.

"O que é surpreendente é o efeito de terror da bala perdida na cidade inteira", afirmou Rosiska Darcy, presidente-executiva da entidade.

"É um número que impressiona, porque ele é mais elevado do que das outras coisas, como assalto", afirmou.

Na pesquisa, o medo de ser assaltado foi o segundo mais citado (23 por cento), seguido pelo temor de sair à noite (19 por cento) e o receio da presença do tráfico de drogas (7 por cento).

De acordo com relatório do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, 79 pessoas foram atingidas por balas perdidas no primeiro semestre deste ano no Rio, sendo que quatro morreram.

Nos últimos dias, dois casos de mortes por balas perdidas revoltaram moradores. Nesta quarta-feira, um adolescente de 15 anos foi morto por disparos durante operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) em favela na zona Norte do Rio. No domingo, uma mulher de 24 anos morreu e sua filha de 11 meses ficou ferida após serem atingidos por bala perdida. Familiares acusaram a polícia, que investiga o caso.

Desde a semana passada, ao menos 43 pessoas morreram na última onda de violência na cidade, especialmente na zona norte, região que concentra o maior número de domicílios em favelas da cidade, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Os confrontos entre policiais e facções criminosas rivais tiveram início no dia 17, quando um helicóptero da Polícia Militar que dava apoio a uma operação no Morro dos Macacos, na zona norte, foi abatido a tiros. Três policiais que estavam na aeronave morreram.

Na região Norte, o receio por bala perdida é o maior entre todas as outras áreas da cidade: 44 por cento.

"Espero que isso chame a atenção do grau de insustentabilidade que a situação da violência alcançou", disse Rosiska. "Isso é uma situação intolerável."

A pesquisa foi realizada pelo Ibope em agosto, antes da onda de violência, com moradores de todas as regiões da cidade, a pedido da Rio Como Vamos, uma organização não governamental que monitora a gestão municipal no Rio de Janeiro.

"CONFRONTO ARMADO NÃO É POLÍTICA"

Durante visita ao Rio de Janeiro na terça-feira, o ministro da Justiça, Tarso Genro, prometeu reforço no repasse de recursos federais ao Estado para segurança, com o foco nas Unidades de Polícia Pacificadoras.

Para o pesquisador Ignácio Cano, a implantação das UPPs em regiões-chave pode ser o caminho para reduzir os níveis de criminalidade na cidade.

"Confronto armado não é uma política", afirmou Cano. "Acreditamos que o confronto armado é a regra (atualmente), mas a regra deveria ser o policiamento permanente."

As unidades pacificadoras começaram a ser criadas neste ano no Rio e estão presentes em cinco comunidades, na zona sul e oeste.

Para a presidente da ONG Rio Como Vamos, os resultados das UPPs renovam as esperanças de paz em regiões assoladas pela violência.

"Estamos esperançosos na ideia de UPPs. Com a polícia cidadã, devem chegar outros serviços públicos que deem a essas comunidades o estatuto de um bairro como qualquer outro e onde se possa viver tranquilo", afirmou.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG