Cargos-chave da CPI da Petrobras continuam indefinidos; líderes estão reunidos

BRASÍLIA ¿ A menos de duas horas da primeira reunião da CPI da Petrobras, marcada para as 14h desta terça-feira, líderes da base aliada se reúnem com o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteira, para tentar chegar a um acordo acerca dos senadores que assumirão os cargos de presidente e relator da comissão.

Carol Pires, repórter em Brasília |



O encontro foi organizado pelo líder do PT, Aloízio Mercadante (SP), e conta com a presença do líder, Romero Jucá (PMDB-RR), e do vice-líder, Gim Argello (PT-DF), do governo. Como Mercadante está rompido com o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), o último não foi convidado à reunião.

A presidência da CPI da Petrobras ficará com o PT, enquanto a relatoria será do PMDB. Porém, enquanto o líder petista Aloizio Mercadante defende os nomes de João Pedro (PT-AM) e Romero Jucá (PMDB-RR), Renan Calheiros trabalha pela indicação de Ideli Salvatti (PT-SC) e Paulo Duque (PMDB-RJ) ou Leomar Quintanilha (PMDB-TO), para as funções estratégicas.

O governo estaria preocupado com a indicação de Ideli, pois, como líder do governo no Congresso, ela terá como tarefa, até o final do ano, o fechamento de um acordo acerca do Orçamento da União de 2010. Quanto à relatoria, Renan Calheiros não estaria satisfeito coma indicação de Jucá pela proximidade dele com Mercadante, seu desafeto.

Requerimentos

Como a hipótese de um senador do DEM ou do PSDB ocupar um dos cargos-chave é nula, a oposição se prepara para o embate no início das apurações. A ideia é ter acesso a inquéritos da Polícia Federal que investigaram fraudes em licitações da Petrobras e desvio de dinheiro dos royalties do petróleo para encontrar pistas de por onde enveredar as buscas por irregularidades na estatal.

O governo, em contrapartida, tentará aprovar requerimentos que estendam as investigações da CPI para o período em que Fernando Henrique Cardoso governou o País.

Entenda a CPI

A CPI criada para investigar irregularidades na Petrobras contou com o apoio de 30 senadores, três a mais que o número mínimo necessário para a criação de uma Comissão de Inquérito. O autor do pedido é o senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR).

Em seu requerimento, Álvaro destaca os seguintes pontos a serem investigados:

  • Indícios de fraudes nas licitações para reforma de plataformas de exploração de petróleo apontados pela operação Águas Profundas da Polícia Federal;
  • Graves irregularidades nos contratos de construção de plataformas, apontados pelo Tribunal de Contas da União;
  • Indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, apontados por relatório do Tribunal de Contas da União;
  • Denúncias de desvios de dinheiro dos royalties do petróleo, apontados pela operação Royalties, da Polícia Federal;
  • Denúncias de fraudes do Ministério Público Federal envolvendo pagamentos, acordos e indenizações feitos pela ANP a usineiros;
  • Denúncias de uso de artifícios contábeis que resultaram em redução do recolhimento de impostos e contribuições no valor de R$ 4,3 bilhões;
  • Denúncias de irregularidades no uso de verbas de patrocínio da estatal.


A CPI vai ter 180 dias para realizar seus trabalhos, podendo ser prorrogada por igual período. 

(*Com informações do jornal "O Estado de S. Paulo")

Opinião

Leia mais sobre: CPI da Petrobras

    Leia tudo sobre: cpi da petrobras

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG