Cardozo diz que Lula e PSB não devem reverter decisão sobre aliança em BH

BRASÍLIA - O secretário-geral do PT, deputado federal José Eduardo Cardozo (SP), declarou nesta segunda-feira que as repercussões negativas do veto da cúpula petista a uma aliança com o PSDB em Belo Horizonte, nas eleições municipais, não serão motivo para reverter a decisão.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |


Cardozo incluiu nessas repercussões a irritação do PSB (que ameaça desmanchar a aliança com o PT e ficar com o PSDB), a simpatia de Lula à união com tucanos e a ameaça de petistas de BH de recorrer à Justiça contra a direção nacional do PT.

"Não vejo nenhuma razão para retroceder", afirmou José Eduardo Cardozo, pouco antes da reunião da comisão executiva nacional do PT que irá tratar, entre outros assuntos, da solução tomada ontem pelo diretório municipal do PT em BH, que desafiou a cúpula partidária ao se pronunciar a favor da aliança com o PSDB.

Na opinião do secretário-geral da legenda, agora cabe ao PT o diálogo com o PSB, que se mostra muito irritado com o veto petista por ser o partido do candidato a prefeito (Márcio Lacerda) da chapa com petistas e tucanos. "O PSB é um partido irmão", minimizou Cardozo para em seguida negar que o veto a coligação tenha sido um "tiro no pé" por causar tantas repercussões negativas dentro e fora do PT.

Cardozo ressaltou que, mais importante do que a eleição municipal em BH, é o projeto do PT na eleição presidencial de 2010,. E que, por isso, a legenda não poderia se aliar com seu principal rival.

"Nunca se dá um tiro no pé quando se tem um projeto nacional pela frente. Não teria nenhum sentido se fizéssemos uma aliança prejudicial ao nosso projeto nacional para 2010", alegou o dirigente. Ele acrescentou que o presidente Lula não tem demonstrado irritação com o veto petista ou intenção de modificar as coisas. "Não captei essa visão do presidente na fala dele", disse.

Resposta na Justiça

Cardozo diz que, se os petistas de BH cumprirem a promessa de recorrer a decisão nacional, será um fato negativo inédito.
"Seria um fato inédito no PT alguém recorrer à Justiça para reverter uma decisão interna. Eu só teria a lamentar", afirmou, evitando mais comentários.

O líder PT na Câmara dos Deputados, o deputado federal Maurício Rands (PE), disse que os petistas de BH deveriam recorrer ao diálogo ao invés de entrar com uma ação na Justiça para driblar a decisão da executiva nacional.

"Política é a arte de contornar problemas. A solução do problema não pode ser a 'judicialização'. A Justiça não está habilitada para tratar de questões políticas. É preciso ter serenidade", apelou o líder.

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