No limite com arranha-céus luxuosos e barracões desvalorizados, o Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, começa a ganhar contornos de um novo bairro. As mudanças tiveram início em fevereiro e incluem inovações importantes, como um calçadão em plena Cardeal Arcoverde e uma esplanada na Avenida Faria Lima, que devem ser entregues à população em 2009.

Com custo de R$ 99 milhões, as obras fazem parte do projeto de revitalização do Largo da Batata, escolhido por meio de um concurso vencido pelo engenheiro Jaime Waisman e pelo arquiteto Tito Lívio Frascino, em 2001. Haverá ainda a construção de um terminal de ônibus na Rua Capri, ao lado de onde ocorreu o acidente nas obras da Linha 4 do Metrô, em 2007. "O projeto contempla duas vertentes: o Largo da Batata e o terminal de ônibus", explica Waisman. As obras começaram na praça da Igreja Nossa Senhora de Mont Serrat, no Largo de Pinheiros, e fazem parte do projeto piloto que engloba o quadrilátero das Ruas Pais Leme, Fernão Dias, Sumidouro e Padre Carvalho.

Os pisos da praça estão sendo trocados e adaptados aos padrões determinados pela Prefeitura, com guias rebaixadas e orientação tátil para deficientes visuais. Os postes serão retirados e os fios, aterrados. Segundo os projetistas, as noivas vão ganhar um passeio especial, do local em que o carro for estacionado até a porta da igreja, que deve ser restaurada pela Prefeitura. Essa primeira etapa deve ser entregue ainda este mês.

A expectativa é iniciar as demais intervenções na seqüência, nos mesmos moldes do projeto piloto. O desenho vai da Marginal do Pinheiros até a Rua Cunha Gago. Nos limites do largo, estarão as Estações Pinheiros e Faria Lima do Metrô.

Pelos planos da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), as duas vertentes - revitalizar o Largo da Batata e construir terminal de ônibus - estão intimamente ligadas. "A nossa proposta para revitalizar é tirar os ônibus", completa Frascino. Então, arquiteto e engenheiro decidiram fazer os coletivos que congestionam o fim da Cardeal Arcoverde, já perto da Faria Lima, deixarem de trafegar por esse trecho, que vai ser transformado num minicalçadão, com árvores e piso especial, entre a Rua Manuel Carlos de Almeida e a Faria Lima.

A manobra é simples: a Rua do Sumidouro vai passar a cruzar a Faria Lima, por meio da ligação de 150 metros com a Rua Baltazar Carrasco. Com isso, os ônibus que descem pela Cardeal farão um pequeno desvio à direita, entrarão nesse novo acesso à Sumidouro e desembocarão direto no terminal.

Também ocorrerá uma série de pequenas intervenções de tráfego para desafogar tanto a Eusébio Matoso quanto a Avenida Rebouças e criar maior fluidez no entorno largo. Entre essas estão a abertura de uma via ligando a Rua Butantã à Pais Leme e a melhoria viária de pequenas ruas na região. "Algumas mãos de direção serão invertidas, mas não será nada muito doloroso", garante Waisman.

A sinalização também vai ser mais moderna e padronizada. Outra rua ali perto, a Guaicuí, também vai virar um calçadão, nos mesmos moldes da Cardeal. Mas a menina dos olhos dos projetistas é a Esplanada da Faria Lima, entre a Cardeal e a Rua Teodoro Sampaio, perto da Estação Faria Lima. A esplanada, segundo Frascino, será uma grande área, aberta aos pedestres, perto do metrô e do Mercado de Pinheiros, que também passará por revitalização. "Vai ser um espaço de usufruto público."

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