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Cantet ganha a Palma de Ouro em Cannes com Entre les murs

O filme francês Entre les murs, de Laurent Cantet, venceu neste domingo por unanimidade a Palma de Ouro do 61º Festival de Cannes, anunciou o ator e diretor americano Sean Penn, presidente do júri.

AFP |

Cantet ficou conhecido em 1999 com "Recursos Humanos" ("Ressources Humaines"), dolorosa crônica ambientada em uma fábrica em crise, antes de confirmar seu talento para o cinema com "A Agenda" ("L'emploi du temps", 2001) e "Em Direção ao Sul" ("Vers le sud", 2005), protagonizado por Charlotte Rampling.

Em seu quarto longa, adaptação do romance homônimo do jovem jornalista e professor François Bégaudeau, o diretor acompanha o cotidiano de um instituto de ensino misto de Paris, principalmente um professor de francês e seus alunos de 14 e 15 anos ao longo de um ano escolar.

O exterior da escola, a rua, só é mostrada por instantes no começo do filme quando o professor chega ao colégio no primeiro dia de aula. O restante da ação transcorre entre as quatro paredes do establecimento.

O diretor mantém em tensão constante o espectador, com sua forma de mostrar a relação intensa de todos os dias entre docentes submetidos a um desgaste permanente e adolescentes de todos as origens e cores, incansáveis, ternos, divertidos, violentos ao mesmo tempo. Em uma palavra, esgotantes.

Ao longo de um ano, Cantet trabalhou todas as quarta-feiras em oficina com alunos do instituto Françoise Dolto de Paris e pouco a pouco foi configurando o grupo que participou da rodagem, realizada com três câmaras que filmaram em plano muito próximo durante um verão de férias escolares.

O autor, François Bégaudeau, que recolheu em seu livro sua própria experiência docente, e que é um rosto conhecido na televisão por suas resenhas literárias e críticas de cinema, retoma com grande naturalidade seu próprio papel de professor apaixonado pelo trabalho, que se vê superado por algumas situações.

Em frente, esse apaixonante microcosmo que é a classe - todos os alunos são formidáveis -, reflete muito bem a realidade social francesa, multicolorida. "Tentamos evitar a ideologia, mostrar a escola tal como é, não como a queríamos", insistiu Cantet.

"Entre les murs" diverge, assim, dos filmes dedicados ao universo do ensino desde "A sociedade dos poetas mortos" a "Ça commence aujourd'hui" (Está começando hoje), de Bertrand Tavernier, passando pelo documentário "Être et Avoir", Ser e Ter de Nicolas Philibert.

O filme foi o último selecionado pela equipe de Thierry Frémaux, comentou à AFP o próprio diretor. "Tinham medo de que resultasse demasiado francês", disse Cantet. Agora, foi coroado pelo júri.

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