Cannes apresenta contraste de estilos em seu penúltimo dia

Por Alicia García de Francisco, de Cannes (França) ¿ A elegância de Palermo Shooting, um filme de Wim Wenders, e o caos e confusão de Synecdoche, New York, a obra-prima do até então roteirista Charlie Kaufman marcaram o contraste de estilos do penúltimo dia da competição oficial do Festival de Cannes Faltando apenas a apresentação de um filme para fechar a competição - Entre les murs do francês Laurent Cantet, programado para amanhã -, Wenders e Kaufman foram exibidos no dia de hoje, assim como Il Divo, de Paolo Sorrentino, e My Magic de Eric Khoo.

EFE |

Com "Palermo shooting", Wenders volta às origens de seu cinema, com tudo de bom e de ruim que isto pode supor. Com claras reminiscências de "Asas do Desejo", realiza um brilhante estilo de exercício cinematográfico que encantará seus seguidores.

A vida e a morte, o real e o imaginário voltam a ser os eixos deste filme, que conta a história de Finn (Campino, o cantor do grupo alemão Die Toten Hosen), um fotógrafo de sucesso internacional que está perdido, sem lugar definido e isolado, sempre com seus fones escutando música.

Uma trilha perfeitamente escolhida é também protagonista da história junto com as paisagens de Düsseldorf (Alemanha) e depois de Palermo.

Wenders narra com delicadeza e continuidade a trajetória deste homem que não pára de andar e de ver passar as paisagens e os céus, algo muito habitual no cinema do diretor alemão.

Após os americanos "Land of plenty" e "Don't come knocking", Wenders retorna a Cannes com esta produção alemã, que não teve uma recepção muito calorosa em sua primeira projeção no festival.

O filme de um diretor estreante, o americano Charlie Kaufman, concorre com a experiência de Wenders - que já ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 1984 com "Paris, Texas".

"Synecdoche, New York" é aguardada estréia como diretor do roteirista de filmes como "Quero ser John Malkovich" e "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças", que levou ao seu extremo o estilo já característico em suas histórias.

A produção é tão original quanto seus roteiros, mas ainda mais complicada, confusa e bastante deprimente, apesar de receber um grande apoio em sua primeira projeção em Cannes.

Philip Seymour Hoffman encabeça a produção de forma brilhante, interpretando Caden Cotard, um diretor de teatro que abandona sua mulher (Catherine Keener), está obcecado por seu trabalho e rodeado de personagens um tanto surrealistas, começando por ele mesmo.

Com uma narração na qual se misturam realidade, sonhos, pensamentos e todo tipo de coisas, o resultado é mais confuso, especialmente quando a obra de teatro que o protagonista começa a montar é um reflexo da realidade, que vai se adaptando aos acontecimentos.

Nesse ponto os personagens são duplicados, o que em alguns momentos torna difícil seguir o fio da narração, como ocorre com o papel de Hazel, interpretado no filme por Samantha Morton e no teatro dentro do filme por Emily Watson.

O diretor reconheceu em entrevista coletiva que a história é "ambígua", algo que ele procura. Por isso, talvez tivesse sido "um erro apresentar as coisas claras".

Kaufman disse que, quando trabalha, decide pouco sobre o andamento e explicou, por exemplo, que no filme houve muitas coisas cortadas no último minuto por problemas com a excessiva metragem de um filme ou cenas escritas na véspera da gravação.

Hoje também foi apresentado "Il Divo" uma ácida sátira de Paolo Sorrentino sobre Giulio Andreotti, um duro retrato da classe política italiana.

E "My Magic", de Erick Khoo (de Cingapura), um filme com um lado bastante sórdido sobre um mago alcoólico, interpretado pelo estreante Francis Bosco, que foi ovacionado após a projeção.

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