Cannes aplaude filme argentino que tem participação de Santoro

O filme Leonera, do argentino Pablo Trapero, um comovente drama sobre mulheres presas com seus filhos - que conta com a participação do brasileiro Rodrigo Santoro - foi exibido nesta quinta-feira na mostra oficial no Festival de Cannes e aplaudido na primeira projeção para a imprensa.

AFP |

"Leonera" é um drama de tom clássico. Trapero reconhece que se inspirou nos filmes dos anos 50 em que "há uma heroína contra todas as dificuldades".

O filme argentino conseguiu, neste ponto, atingir seu objetivo. "Leonera" é um convincente retrato de uma mulher confrontada pela tragédia, mas ao mesmo tempo uma crônica sem concessões do universo carcerário em que as mulheres se encontram com os filhos pequenos.

Santoro tem uma curta participação no longa, que conta a história de uma jovem grávida acusada de assassinar o namorado. O brasileiro interpreta Ramiro, que seria o responsável pela briga do casal, logo, pelo crime.

Pablo Trapero é considerado um dos grandes diretores argentinos da atualidade. É autor de "Mundo Grúa", "Do Outro Lado da Lei", que foi selecionado para Cannes em 2002, fora da competição, "Família Rodante" e "Nascido e Criado".

Outro ponto de destaque nesta quinta-feira, em plena celebração dos 60 anos de existência de Israel como Estado, foi o documentário israelense em animação "Waltz with Bachir", do diretor Ari Folman.

O longa mostra uma página dramática do Estado Hebreu, a guerra do Líbano em 1982, em particular o massacre no campo de refugiados palestinos de Sabra e Chatila.

"Waltz with Bachir" é um relato autobiográfico, a história de um ex-combatente do Exército israelense que entrou no campo de refugiados de Sabra e Chantila, no Líbano, após as falanges cristãs libanesas cometerem um massacre de palestinos - tudo sobre o olhar passivo das autoridades de Israel.

Folman flimou depoimentos de seus companheiros de armas da época, primeiro para um documentário clássico. Depois, decidiu por uma animação, por entender que se tratava de um exercício de terapia e de recuperação da memória.

"Waltz" não é um desenho animado comum, mas parecendo uma história em quadrinhos em movimento, com desenhos feitos a mão, realçados com movimentos de iluminação e cor muito expressivos.

Apesar de ser sempre arriscado tentar adivinhar o pensamento de cada integrante do júri, tanto o israelense Ari Folman como o argentino Pablo Trapero cumprem os requisitos expostos na quarta-feira pelo presidente do júri, Sean Penn, para se levar o prêmios: os dois são cineastas conscientes do mundo que os cerca.

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