Candidatura de Tião Viana ganha força, diz líder do PT a Lula

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou ontem a presença da líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), em cerimônia com a presença do ministro da Educação, Fernando Haddad, no Palácio do Planalto, para perguntar como estava a sucessão para a presidência da Casa, marcada para o início de fevereiro. Mesmo mantendo o discurso oficial de que o Executivo não pode interferir na disputa, o presidente não esconde a preocupação com os desdobramentos da eleição.

Valor Online |

Durante café da manhã com jornalistas, no dia 19, o presidente Lula havia afirmado que acreditava que " o jogo estava jogado, com o companheiro Tião Viana (PT-AC) como presidente do Senado e o companheiro Michel Temer (PMDB-SP) como presidente da Câmara " .

Mas o cenário tornou-se mais turvo após a decisão do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) de também disputar a presidência da Casa e o anúncio do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), de que pretende concorrer à reeleição por estar exercendo um mandato tampão. Ideli Salvatti buscou tranqüilizar o presidente, alegando não acreditar que a candidatura Garibaldi resista até o término da disputa. " O nome do Garibaldi está sofrendo resistência do DEM, o veto não está partindo da base governista " , afirmou a senadora catarinense.

Ideli, que será substituída na liderança em fevereiro pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP), disse que a candidatura do petista Tião Viana está ganhando força na Casa. " O companheiro Tião tem todas as condições de aglutinar forças e retomar a respeitabilidade necessária para o Senado " , afirmou.

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), ficou profundamente irritado com as declarações da senadora petista. Ele perguntou quem é ela para dar opiniões sobre decisões, pensamentos e ações dos demistas. " Ela que vá cuidar do PT. Não é porque existem pessoas no partido que apóiam a candidatura de Tião Viana, como o senador Demóstenes Torres (GO), que haja um veto ao nome de Garibaldi de nosso partido " , afirmou ele.

Agripino disse que uma possível dificuldade à candidatura Garibaldi é que, juridicamente, há dúvidas sobre a viabilidade da empreitada. Pelas regras atuais, um presidente não pode concorrer novamente ao mesmo cargo durante a mesma legislatura. Garibaldi alega que, apesar de ter recebido os votos de seus pares, não foi eleito para um mandato completo, tendo apenas ocupado o cargo vago após a renúncia do senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

O líder demista acha essa discussão inócua e acredita que, no fim das contas, o candidato à presidência do Senado será o senador José Sarney (PMDB-AP). " Eu sei que ele vem repetindo que não é candidato, que não deseja o cargo. Mas acho que será e o governo vai compensar o PT com mais uma vaga na Esplanada " , afirmou.

Uma pessoa próxima ao senador pemedebista afirma que, por enquanto, nada muda no desejo de Sarney de não concorrer ao cargo. Mas admite que a idéia de que ele será candidato é forte nos corredores da Casa porque nenhuma candidatura ainda conseguiu empolgar de fato os senadores. " Ele (Sarney) continua afirmando que apóia a candidatura de Tião Viana " , ponderou o aliado.

(Paulo de Tarso Lyra | Valor Econômico )

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