Candidatos que vão prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) reclamam da distância entre suas casas e os locais de prova determinados pelo Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep), órgão responsável pelo exame. No momento da inscrição, que foi realizada somente pela internet, o candidato informava apenas seu endereço completo e não podia apontar preferência por uma região.

"Fiz os cálculos e vou levar duas horas e meia para chegar até o local da prova", diz a vendedora Sheila de Araújo, de 32 anos, que pretende usar o Enem para conseguir uma vaga no ensino superior por meio do ProUni (Programa Universidade para Todos). Moradora do Butantã, zona oeste da Capital, ela terá que se deslocar até uma escola localizada em São Rafael, zona leste.

Sem carro, Sheila percorrerá os 43 quilômetros com ajuda de três ônibus e metrô - e ainda precisará caminhar um trecho. Por causa da distância, ela está com medo de chegar atrasada para a prova. "No fim de semana (quando será realizado o Enem), o transporte público demora mais", lamenta.

O comerciante João Barrozo, de 57 anos, pai de uma garota de 17, mora na Vila Mariana e terá que levar a filha até o Jardim Ângela. "Isso é um absurdo. É muito longe, são mais de 50 quilômetros", diz. Ele afirma ter entrado em contato com o Ministério da Educação (MEC) e a resposta que obteve foi que sua filha havia escolhido a escola no momento da inscrição. "É mentira, não havia nada disso", reclama o comerciante.

O ex-estudante de engenharia Douglas da Silva, de 34 anos, que pretende voltar à faculdade, recebeu a mesma resposta. "Também disseram que a distribuição é por ordem alfabética", afirma. Ele mora no Tatuapé, zona leste, e vai realizar o exame no centro. "Há muitos colégios e faculdades no meu bairro, não entendo por que escolheram um distante."

O Inep informou, por meio de sua assessoria, que procura colocar os estudantes para fazerem a prova em local próximo ao endereço indicado na inscrição, mas admite que é possível que alguns tenham sido deslocados para bairros distantes, mas sempre no mesmo município. Segundo o instituto, não houve mudança de logística em relação aos anos anteriores e não será possível alterar o local de prova. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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