Candidatos prometem continuar a visitar favelas do Rio

Depois de mais um fim de semana de incidentes envolvendo ameaças de traficantes a campanhas políticas em favelas do Rio, candidatos à prefeitura da capital fluminense afirmaram que continuarão a visitar áreas dominadas por bandidos e milicianos. Para eles, deixar de ir às comunidades seria privar os eleitores dessas áreas do direito à informação e ao debate político.

Agência Estado |

Concordam, porém, com a necessidade de não expor seus contatos nas comunidades a risco excessivo.

"É como andar no fio da navalha. Temos que ter a sensibilidade de não aceitar uma restrição maior ao debate democrático e, do outro lado, não estimular um desafio (aos bandidos). Temos que ir às favelas, mas não cair lá de pára-quedas", afirmou Chico Alencar (PSOL), que se reunirá com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, para tratar do tema.

Chico e o candidato petista Alessandro Molon foram constrangidos por traficantes armados ontem, no Complexo da Maré. Fernando Gabeira (PV) enfrentou situação semelhante na Vila Cruzeiro. Ele decidiu interromper a caminhada na metade do caminho, depois de cruzar com homens armados de metralhadoras. Gabeira afirmou que sua equipe está mapeando favelas sob domínio de grupos paramilitares e de traficantes para, a partir da próxima semana, visitar duas delas a cada sábado.

"Defendo uma combinação de estratégias. Entrar para conquistar cidadania e delimitar o espaço da democracia nessas áreas, mas saber recuar quando há risco de vida. Não podemos fazer bravatas", afirmou Gabeira.

A candidata do prefeito Cesar Maia, Solange Amaral (DEM), disse que continuará a visitar favelas, mas minimizou os riscos. "Comigo nunca aconteceu nada e nem vai acontecer. Sempre circulei em favelas, as pessoas me conhecem. Irei cada vez mais", afirmou.

O governo do Estado do Rio divulgou uma nota em que classifica os incidentes envolvendo candidatos como "graves", afirma "não ser novidade para ninguém" o domínio paralelo de áreas da capital e assegura atuar "permanentemente no combate à criminalidade". O candidato do governador Sérgio Cabral, Eduardo Paes (PMDB), disse que não vai restringir sua campanha e prometeu visitar as mesmas favelas onde Gabeira, Molon e Chico foram constrangidos pelo tráfico. "Não vamos nos intimidar em lugar algum da cidade."

Por meio de sua assessoria, Marcelo Crivella (PRB) também defendeu a manutenção de visitas a favelas. Ele foi o primeiro candidato a se deparar com bandidos armados, no início de julho, quando visitou a Mangueira (zona norte). Há uma semana, jornalistas que o acompanhavam na Vila Cruzeiro foram coagidos a apagar fotos do momento em que o senador tentava cumprimentar supostos criminosos.

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