RIO DE JANEIRO ¿ O presidente da CPI das milícias da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Marcelo Freixo (Psol), disse nesta terça-feira que pretende convocar para prestar depoimento pessoas que já foram citadas à Comissão Parlamentar de Inquérito como suspeitas de terem ligação com milícias. Entre os possíveis chamados estão quatro candidatos à vereador que atuam na área de Jacarepaguá.

Vou sugerir os nomes dessas pessoas aos membros da CPI em uma reunião extraordinária que realizaremos esta tarde. Esses candidatos foram citados em audiências anteriores, principalmente por delegados, como pessoas suspeitas de terem ligação com milícias, disse Freixo.

Sobre o deputado estadual Jorge Babu (PT), suspeito de comandar uma milícia na zona oeste do Rio, o presidente da CPI disse que aguarda a chegada da cópia da denúncia feita pelo Ministério Público Estadual. Freixo pediu o documento na última sexta-feira e espera que ele chegue entre hoje e amanhã. O parlamentar declarou ainda que o suspeito já estava sendo investigado antes da denúncia ter sido feita.

Nesta segunda-feira, Babu protocolou uma solicitação autorizando a CPI das milícias a quebrar seu próprio sigilo telefônico e bancário. À noite, a Executiva do PT no Rio decidiu suspender os direitos partidários do deputado por dois meses.

O presidente do PT fluminense, Alberto Cantalice, disse que a suspensão "é a punição máxima" prevista pelo estatuto, nesta altura do processo, quando ainda não há uma recomendação da comissão de ética. A suspensão dos direitos partidários significa que Babu não poderá participar de reuniões do PT nem se apresentar como representante do partido.

Carminha Jerominho

Na última sexta-feira, a Polícia Federal prendeu 11 pessoas por suspeita de envolvimento em crimes eleitorais. Entre os presos estava a candidata a vereadora Carminha Jerominho (PT do B). Ela é filha do vereador Jerominho Guimarães e sobrinha do deputado estadual Natalino Guimarães, ambos presos em Bangu 8.

Segundo a PF, as investigações começaram quando surgiram informações de que moradores de Campo Grande, na zona oeste do Rio, estavam sendo coagidos por pessoas ligadas à milícia "Liga da Justiça" para que votassem na candidata Carminha.

De acordo com a polícia, foram registrados dois casos de pessoas expulsas de suas casas por se negar a aceitar a coação e dois casos de tentativas de homicídio porque as pessoas não teriam cedido espaço em suas residências para a veiculação de propagandas eleitorais da candidata.

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