Candidatos a prefeito no Rio fazem debate morno e comparam experiência

RIO - Os candidatos a prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV), participaram hoje do primeiro debate com vistas ao segundo turno da eleição municipal, marcado para o próximo dia 26 de outubro. O clima entre os candidatos foi amigável a maior parte do tempo, com propostas convergentes em temas como transportes, meio-ambiente e receitas municipais.

Valor Online |

Entre as divergências, ficaram marcadas as visões sobre apoios políticos e a experiência administrativa prévia.

Paes bateu diversas vezes na tecla da sua trajetória política, como vereador, deputado federal, subprefeito, secretário municipal e secretário estadual. Segundo ele, essa experiência será importante na hora de administrar a cidade "como um síndico".

O candidato do partido do governador Sérgio Cabral afirmou ainda que as soluções de diversos problemas do município dependem da aliança entre a prefeitura e o governo estadual. Paes deu o exemplo do bilhete único na rede de transportes, que, segundo ele, necessita de entendimentos entre o modal rodoviário, sob o guarda-chuva do município, e os modais ferroviário e aquaviário, que são concessões estaduais.

"Busquei pautar as discussões do debate com propostas para a cidade, apresentando aquilo que eu pretendo fazer, com respostas objetivas sobre o que vai ser feito a partir de janeiro se a gente vencer a eleição", disse Paes.

Do outro lado, Gabeira procurou minimizar o fato de não ter tido experiências prévias em cargos administrativos. Mais à vontade e contando com a simpatia da maior parte do público que acompanhou o debate no auditório do jornal O Globo, Gabeira criticou algumas ações do governo estadual - como a acusação do governador Sérgio Cabral de que médicos que faltaram a plantões são vagabundos - e focou na afirmação de que a máquina municipal não vai ser "loteada" entre os partidos aliados caso seja eleito.

"Às vezes me acusam de não ter experiência administrativa e se esquecem que os dois que são seus modelos não tinham experiência administrativa nenhuma quando chegaram e hoje são modelos altamente elogiados", frisou Gabeira, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao governador Sérgio Cabral.

Ao final do debate, os candidatos comentaram a pesquisa do DataFolha que os coloca em empate técnico na disputa do segundo turno. Segundo a enquete, Gabeira tem 43%, contra 41% de Paes.

"Não comento pesquisas. Mas recebi (o resultado) com alegria, pois mostra que a eleição vai ser disputada voto a voto, proposta a proposta", frisou Paes.

Gabeira ponderou que a pesquisa mostra que as análises e previsões "às vezes falham", uma vez que as simulações ao fim do primeiro turno mostravam vantagem de Paes para a disputa de 26 de outubro.

"Acabamos de ver agora que não podemos acreditar religiosamente nas simulações. Acho que podemos crescer mais, o resultado para mim é um ânimo, porque não há distinção, é um empate técnico, não tem ninguém na frente", disse Gabeira.

O candidato do PV negou ainda ter feito críticas à vereadora eleita Lucinha (PSDB), a quem teria chamado de "analfabeta política".

"Eu nego as críticas. Aquilo foi dito no contexto de uma conversa por celular e não tem nada do que os jornais disseram", acrescentou.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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