Candidato, Alckmin afirma que o tempo da divergência acabou

Por Carmen Munari SÃO PAULO (Reuters) - Com a presença do governador paulista José Serra e sem o apoio da bancada de vereadores tucanos, o ex-governador Geraldo Alckmin foi oficializado candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo em convenção do partido neste domingo. Na véspera, Serra atuou para a retirada da chapa que propunha o apoio do partido à candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

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Com o resultado, Alckmin e Kassab vão se enfrentar nas urnas e devem levar para as ruas a disputa interna tucana. A candidatura de Kassab foi ratificada em convenção do DEM no dia 14.

'É muito natural que, em um partido grande como o PSDB, haja posições divergentes. Mas o tempo da divergência chegou ao fim, acabou. Agora é trabalhar por São Paulo', disse Alckmin a jornalistas pouco antes do início da convenção realizada na Assembléia Legislativa.

Alckmin também afirmou que vai atuar na eleição dos vereadores que encabeçaram a chapa kassabista. 'Todos contarão comigo. Vou trabalhar por eles', disse.

Onze dos doze vereadores tucanos lideraram a chapa que previa o apoio do PSDB ao prefeito Kassab e, após a retirada a proposta, decidiram não comparecer à convenção.

Alckmin procurou afastar desavenças com Serra. 'Eu sempre apoiei o Serra, não tenho nenhuma divergência política com o Serra. Ele tem papel decisivo na campanha, na vitória'.

Em seu discurso, Serra, que fez Alckmin aguardar para iniciar a cerimônia da convenção, tentou separar o racha do PSDB municipal da corrida pela eleição presidencial de 2010.

'Há um mito criado nos últimos meses com relação a 2010. Na verdade não é 2010 que está em jogo nesta eleição. O que está em jogo é a cidade de São Paulo', afirmou Serra, que tem trabalhado dentro do PSDB a indicação para ser o candidato da sigla na sucessão presidencial. Seu empenho pela candidatura Kassab se reverteria em uma garantia de apoio do Democratas para seus anseios.

O governador frisou que em 2004 PSDB e DEM elegeram Kassab e que conta com o DEM em 2010 e no segundo turno. 'Se a aliança não se traduziu em uma candidatura única, ela tem, sim, que se traduzir no segundo turno'.

Alckmin, questionado sobre seu apoio para a sucessão de 2010, disse que vai atuar para unir as candidaturas de Serra e do governador mineiro Aécio Neves, que também pretende ser candidato pelo partido.

'Vencendo, vou cumprir os quatro anos de mandato, eu já fui governador. O Serra sempre contou comigo, vai contar comigo em 2010. Eu vou trabalhar para unir os dois (Serra e Aécio), aliás os três, tem o (senador) Arthur Virgilio também', disse.

O papel de Serra na disputa municipal ganhou ênfase nas declarações do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, presente à convenção.

'O governador não demonstrou força nem foi à procura disso, ele sempre apostou na união das duas forças. Fez o que estava ao alcance dele para que ela se desse. Não havendo essa possibilidade de união, ele nos ajudou e colaborou para que esta questão não chegasse a um padrão de desentendimento inaceitável', afirmou.

Esta é a segunda vez que Alckmin enfrenta José Serra dentro do PSDB. Dois anos atrás, entraram em rota de colisão quando ambos pretendiam disputar a Presidência da República pela sigla, em embate também vencido pelo ex-governador.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso faltou à convenção. Sua mulher, a ex-primeira-dama Ruth Cardoso, está internada para tratamento.

Antes do início da convenção, o principal articulador da tentativa de obter apoio tucano à candidatura de Kassab admitiu que emissários de Serra fizeram um apelo pela desistência da chapa.

Segundo Walter Feldman, secretário municipal de Esportes, a decisão foi tomada após 'o apelo do presidente (do partido) Sérgio Guerra, que expressou a vontade nacional, mas também por uma manifestação do secretário da Casa Civil, Aluísio Nunes Ferreira, que dizia que nós ficaríamos com a responsabilidade de ter impedido Alckmin de ser candidato'.

Em carta, os vereadores dissidentes afirmam que a desistência da chapa seguiu pedido da direção nacional, estadual e municipal do PSDB, além de lideranças partidárias.

'Se havia esquizofrenia dentro do PSDB, ela foi vencida.

Acho que esse debate dentro do partido vai fortalecer a candidatura Alckmin', disse o líder do PSDB na Câmara, deputado federal José Aníbal.

O vice na chapa encabeçada por Alckmin é o deputado estadual Campos Machado, do PT. Pesquisas Datafolha e Ibope indicam Marta Suplicy (PT) e Alckmin tecnicamente empatados na liderança e Kassab em terceiro.

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