Cancelado novo julgamento do assassino de Dorothy Stang

RIO DE JANEIRO - O novo julgamento do assassino confesso da missionária americana Dorothy Stang, que aconteceria hoje, em Belém, foi cancelado, a pedido dos advogados do réu, Rayfran das Neves Sales.

EFE |

Segundo a alegação da defesa, Sales quis evitar passar por "uma situação humilhante" e pediu a manutenção da pena de 27 anos de prisão, requerimento aceito pelo juiz encarregado do caso.

Dorothy foi assassinada em fevereiro de 2005, com seis tiros nas costas. Então com 73 anos, ela foi vítima de uma emboscada em uma zona rural de Anapu (PA), onde trabalhou por mais de 20 anos apoiando os movimentos de trabalhadores rurais sem-terra na Amazônia.

Sales, condenado ainda em 2005, confessou ter cometido o crime por encomenda de fazendeiros. O julgamento, no entanto, foi repetido em 2007, em virtude do benefício que a legislação brasileira dá aos condenados a mais de 20 anos de prisão.

O segundo julgamento, porém, foi anulado, já que, na época, o pistoleiro negou ter recebido dinheiro para matar. A Promotoria, entretanto, provou o pagamento e pediu que a pena fosse aumentada.

Além do cancelamento do novo julgamento, a defesa pediu que Sales possa cumprir a pena em regime semiabierto, já que completou quatro anos de reclusão. Até o momento, a Justiça ainda não se pronunciou sobre esse pedido.

Outros condenados pelo crime foram Clodoaldo Carlos Batista, cúmplice do pistoleiro e que cumprirá 17 anos de prisão, e o fazendeiro Amair Feijoli da Cunha, intermediário na negociação entre Sales e os homens que o contrataram, e a quem a Justiça impôs uma pena de 18 anos.

O fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, que ordenou e pagou pelo assassinato, foi condenado a 30 anos de prisão. Porém, com a mudança do testemunho do pistoleiro, depois foi absolvido em segunda instância.

No entanto, após a comprovação do pagamento pelo crime, a absolvição foi anulada e Moura passará por um novo julgamento, ainda sem data marcada. Enquanto isso, ele aguarda o processo em liberdade.

O caso despertou grande expectativa entre organizações ambientalistas, indigenistas e trabalhadores sem-terra, que fizeram muita pressão durante as audiências. EFE mp/fm/sc

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